Serviço de Infeciologia permite acelerar o primeiro apoio aos doentes do Hospital de Braga

Por ano, são identificados mais de 650 casos de infeções sanguíneas em doentes da Unidade Local de Saúde de Braga. Há cinco anos foi criado um serviço especializado no tratamento destes pacientes, que permite ao Hospital de Braga diminuir para metade o período entre o diagnóstico e o primeiro apoio prestado.
Trata-se de uma equipa constituída por oito especialistas e três internos em formação específica que intervém de forma transversal, em todas as especialidades da unidade hospitalar.
Uma intervenção que serviu de mote para o 2º Encontro sobre Infeção Hospitalar, que decorreu esta segunda-feira, em Braga.
Profissionais de saúde de diferentes pontos do país discutiram o diagnóstico, tratamento e prevenção das infeções da corrente sanguínea, numa iniciativa que procurou, também, assinalar o trabalho desenvolvido, identificar desafios e oportunidades de melhoria, e promover a adoção de atitudes saudáveis.
Tudo isto, segundo a diretora do Serviço de Infeciologia, serviu para celebrar “o que o Serviço Nacional de Saúde tem de melhor”. Ana Cláudia Carvalho reitera que não existe um apoio com estas caraterísticas noutros hospitais públicos do país.
Um serviço único, que quando comparado a outros hospitais, é capaz de mitigar para metade o período entre o diagnóstico e a atuação nestes doentes.
Entre a colheira de sangue para análise laboratorial e a intervenção médica, o tempo de espera é de “1,6 dias”, um período que Ana Cláudia Carvalho caracteriza como “curto”, quando comparado “a outras realidades em que, às vezes, ao fim de três, quatro, cinco dias ainda não há um resultado.”
São infeções provocadas, na maioria dos casos, por bactérias, que podem ser contraídas dentro e fora dos hospitais. Em alguns casos, “o doente vem à urgência por contrair a doença na comunidade, por exemplo, através de uma meningite, uma infeção respiratória, uma pneumonia, infeções de pele, ou celulites graves.
Há, ainda, casos em que a infeção de corrente sanguínea que é adquirida no hospital. Por esta altura, segundo a diretora, são registados “mais casos adquiridos no hospital.”
O encontro focou-se, ainda, em promover boas práticas e sensibilizar outros hospitais para terem um serviço dedicado que permita mitigar os danos destas infeções.
Ora, a taxa de mortalidade nas infeções de corrente sanguínea ronda os 20% e 30%, valor esse que pode variar consoante a zona infecionada.
“Se o ponto de partida é uma celulite, normalmente não há motivos para alarme. Numa infeção em que a bactéria afeta o coração e as válvulas cardíacas, estamos a falar de situações com uma complexidade e um prognóstico mais reservado.”
A diretora do Serviço de Infeciologia da ULS sobre a taxa de mortalidade
O programa do 2º Encontro sobre Infeção Hospitalar contou com sessões temáticas, com abordagens multidisciplinares dedicadas a discutir a prevenção e o diagnóstico das infeções de corrente sanguínea.
