Atraso na Circular Externa gera críticas da oposição, mas João Rodrigues desvaloriza: “Tenho a palavra do ministro”

A ausência da assinatura do protocolo com o Governo para financiar a Circular Externa foi um dos temas que centrou atenções na última reunião do executivo bracarense. A oposição exige explicações para o atraso de mais de dois meses face à promessa inicial, mas o presidente da câmara garante que o financiamento de 80 milhões de euros está completamente fechado e que as equipas técnicas já estão no terreno a desenhar a via.
A mudança estratégica de janeiro e a promessa dos 80 milhões
A urgência em torno desta via ganhou um novo fôlego a 21 de janeiro, quando o edil anunciou uma alteração de fundo nas prioridades de mobilidade do concelho. A autarquia decidiu suspender a linha vermelha do Bus Rapid Transit (BRT) no centro de Braga para dar “prioridade máxima” à construção da Circular Externa, uma obra que pretende retirar cerca de 60% do trânsito de atravessamento do núcleo urbano.
Na altura, após uma reunião com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, João Rodrigues anunciou um financiamento estatal de cerca de 80 milhões de euros e previu a assinatura do acordo no prazo de algumas semanas.
“Nessa reunião, o Governo mostrou total abertura para assumir como prioritário o investimento na circular rodoviária externa de Braga e o compromisso de o formalizar através de um protocolo a celebrar nas próximas semanas.”
João Rodrigues, presidente da câmara de Braga
“Prometer como nunca, adiar como sempre”: Oposição aponta o dedo aos prazos
Volvidas 11 semanas desde o anúncio, o documento continua por assinar. No final da reunião do executivo municipal, Rui Rocha, vereador da Iniciativa Liberal (IL), criticou fortemente a demora e a falta de planeamento. Sublinhando tratar-se de um projeto fundamental para a cidade, o também deputado na Assembleia da República relembrou os prazos iniciais definidos pelo autarca.
“Isso é uma escola que já vem de mandatos anteriores: promete-se muito, mas depois as coisas demoram muito mais tempo do que era esperado para se concretizar.”
Rui Rocha (IL)
No mesmo sentido, o Partido Socialista (PS) exigiu justificações pelo arrastar do processo. O vereador Pedro Sousa classificou a obra como estruturante e avisou que começam a faltar dados concretos para apresentar à população com a entrada no segundo trimestre do ano.
“Terminamos o primeiro trimestre, estamos a entrar no segundo trimestre do ano e nós esperamos que, a breve trecho, o senhor presidente da câmara tenha mais explicações e um enquadramento mais maduro para nos apresentar.”
Pedro Sousa (PS)
Autarca recusa alarmismos e confia na palavra da tutela

(Foto: Ariana Azevedo / RUM)
Confrontado com as críticas e os prazos ultrapassados, João Rodrigues rejeitou qualquer motivo para alarme, assegurando que o compromisso financeiro com a tutela se mantém intocável. O autarca reiterou que existe uma equipa do município a trabalhar no projeto há vários meses e que o processo obriga a reuniões constantes de articulação técnica com a Infraestruturas de Portugal, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e a Agência Portuguesa do Ambiente.
“A resposta é que o governo vai pagar a variante. A questão é a assinatura do protocolo. Nós ainda não tivemos a oportunidade de o assinar.”
Para o edil bracarense, a falta do papel assinado não é a principal preocupação. O protocolo servirá essencialmente para definir timings e pormenores técnicos da via, como as zonas que serão construídas em viaduto.
“Não me preocupa muito o prazo do protocolo. Eu tenho a palavra do ministro das infraestruturas e para mim chega.”
Câmara avança com plano de 20 Milhões para repavimentar estradas
A Câmara Municipal de Braga vai investir este ano cerca de 20 milhões de euros na repavimentação de estradas por todo o concelho. Este valor duplica a promessa eleitoral, na ordem dos 10 milhões.
Segundo João Rodrigues, a duplicação da verba justifica-se pelo inverno rigoroso que fustigou a rede viária da região, deixando os pavimentos severamente degradados. Aproveitando a chegada do tempo seco, a autarquia vai avançar com o plano, tendo neste momento mais de 60 projetos de pavimentação em carteira.
Só nesta semana, foi dado o primeiro passo para requalificar mais de quatro hectares de vias, englobando intervenções essenciais em locais centrais como as avenidas Miguel Torga, Doutor Francisco Salgado Zenha e 31 de Janeiro, bem como os largos Conde de Agrolongo e da Estação.
