NATO/Cimeira: Trump declara fim do cessar-fogo com Irão porque líderes são “escumalha”

O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, afirmou esta quarta-feira que o cessar-fogo com o Irão acabou e apelidou os líderes iranianos de “escumalha” e mentirosos.
“No que a mim me diz respeito, acabou”, respondeu Donald Trump aos jornalistas à margem da cimeira da NATO, que termina hoje em Ancara, capital da Turquia. Trump afirmou que “não quer lidar mais com essa gente”, apelidando os líderes iranianos de “escumalha”, “mentirosos” e “pessoas violentas e cruéis que se tivessem uma arma nuclear, usá-la-iam”.
O chefe de Estado norte-americano afirmou que “não quer perder tempo” com o Irão. “Vou deixar que os nossos maravilhosos negociadores continuem a conversar, se quiserem, mas não vejo sentido nisso. Não gosto destas pessoas”, acrescentou.
“Nós fazemos um acordo, e ele sai. Todos concordaram: nada de armas nucleares. Fazemos um acordo. Eles saem, falam com a imprensa, dizem que nem sequer falámos sobre isso. Há algo de errado com eles. São malucos”, acusou.
O Presidente dos EUA apelidou os líderes iranianos de “doentes” e “trapaceiros” que “prejudicaram o próprio povo”. Em contraponto, ao lado do secretário-geral da NATO, Mark Rutte, Trump disse gostar dos líderes da Aliança, apesar de “durante muitos anos, não terem tratado os EUA de forma justa”.
“Mas não faz mal. Mas são pessoas sensatas, racionais e boas, na sua maioria. Para ser sincero, não gosto de alguns deles, mas são apenas alguns de quem não gosto muito. Gosto do Presidente Erdogan”, acrescentou.
As forças armadas norte-americanas anunciaram ter lançado hoje uma série de ataques contra alvos iranianos, em retaliação por a República Islâmica ter atingido três navios mercantes em águas próximas de Omã.
O Comando Central militar norte-americano (CENTCOM) adiantou nas redes sociais que os “poderosos ataques” noturnos foram lançados “para impor penalizações elevadas [ao Irão], por atacar navios mercantes tripulados por civis inocentes numa via navegável internacional”.
Os navios mercantes têm sido fortemente afetados pelo conflito no Médio Oriente desde 01 de março, quando o Irão fechou esta passagem vital em retaliação pelos ataques norte-americanos e israelitas, tendo os EUA imposto um bloqueio aos portos iranianos.
O tráfego marítimo foi retomado na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, a 17 de junho, para pôr fim ao conflito iniciado no final de fevereiro com os ataques israelitas e norte-americanos contra a República Islâmica.
Mas o Irão reiterou, apesar da oposição dos EUA, que não haverá regresso à situação pré-guerra, quando a passagem pelo estreito era gratuita, e ameaçou os navios que tentarem contornar a única rota que autorizou, ao longo das suas costas.
No final de junho, ao acusar Teerão de ter atacado dois navios, os Estados Unidos bombardearam o país em retaliação, e o Irão, por sua vez, atacou o Kuwait e o Bahrein. Teerão e Washington chegaram depois a novo acordo sobre uma trégua nas hostilidades.
O estreito de Ormuz é a principal rota marítima que liga os países petrolíferos do Médio Oriente ao resto do mundo, em particular aos mercados asiáticos.
LUSA
