Eleições PS Braga. Pedro Sousa recandidata-se, ataca “amnésia” de Artur Feio e sublinha “oceano de diferenças”

O atual líder recandidata-se à concelhia do PS Braga, destacando o crescimento autárquico do partido. Num forte contra-ataque, acusa Artur Feio de "amnésia" e "despudor".
Pedro Sousa, candidato à liderança da concelhia de Braga, em entrevista à RUM:

A corrida à liderança da concelhia do Partido Socialista (PS) de Braga promete não dar tréguas até às eleições do próximo dia 20 de junho. Oficializando a recandidatura com o manifesto “Um Só PS”, o atual líder Pedro Sousa recusa o cenário de inércia traçado pelo seu adversário, Artur Feio. Antes de partir para o ataque direto, o recandidato foca-se em fazer o balanço do seu mandato, recordando que o partido cresceu substancialmente nas freguesias e que as últimas eleições autárquicas decorreram num contexto nacional e local atípico. Depois de blindar a sua liderança com os números do território, Pedro Sousa atira-se ao passado político da oposição interna, apontando falhas de memória a quem agora o critica.


O Crescimento no Território num “Quadro Atípico”

A atual direção socialista recusa liminarmente a narrativa de perda de influência e protagonismo. No momento de justificar a recandidatura, Pedro Sousa faz questão de recordar detalhadamente o ponto de partida e os ganhos obtidos sob a sua liderança. Relembrando que, nas últimas eleições, o PS “perdeu uma câmara em que votaram mais de 107 mil pessoas por 200 votos” num momento de grande transição política, o candidato assume que o desfecho “doeu muito”, mas sublinha que é impossível apagar o crescimento paralelo.

“O Partido Socialista tinha 11 freguesias no mandato anterior e passou a ter 16 este ano, ou seja, aumentou o número de presidências de junta em 40%“, frisa o líder, acrescentando ainda que o partido detém hoje o poder autárquico em cinco das sete maiores freguesias do concelho (Nogueira, Fraião e Lamaçães; Gualtar; Real, Dume e Semelhe; São Vicente e Maximinos, Sé e Cividade).

Para o atual líder, as perdas no município explicam-se, em grande parte, pelo contexto das eleições de 2025, marcadas por um “espartilho de novos partidos” como o Chega e a Iniciativa Liberal. Apoiado neste balanço e na vitalidade que garante existir na estrutura, Pedro Sousa demonstra plena segurança nos apoios reunidos.

“O império da realidade desmonta sempre qualquer narrativa. Eu, se não tivesse apoios sólidos, abrangentes, estruturais daquilo que é o PS, naturalmente não me recandidataria. Eu não quero ser presidente do Partido Socialista para andar com uma medalha ao peito. Vivo muito bem com aquilo que é a minha vida pessoal, associativa, profissional.”

Pedro Sousa confia que a realidade do partido vai desmentir a narrativa da oposição nas urnas

Um “Oceano de Diferenças” e o Afastamento do Divisionismo

DR

A segurança na implantação territorial serve também para Pedro Sousa traçar uma linha vermelha face à estratégia do seu opositor. Confrontado com o facto de Artur Feio justificar a sua candidatura com um alegado apelo e sentimento de abandono dos autarcas de base, o atual líder demarca-se completamente dessa forma de estar, recusando instrumentalizar quem está no terreno.

O também vereador defende que as energias têm de estar focadas na comunidade e não na criação de um campo de batalha interno. Pedro Sousa garante que nunca usará os presidentes de junta como “instrumento, nem arma de arremesso”, rejeitando em absoluto qualquer tentativa de promover o divisionismo para conquistar espaço na vida interna do PS.

Para o atual líder da concelhia, a responsabilidade de um dirigente exige “saber criticar dentro e defender fora”, vincando assim que existe “um oceano de diferenças” a separá-lo de Artur Feio no que toca à visão estratégica para o partido e para a cidade.

O recandidato recusa utilizar os líderes locais como arma de arremesso partidário.

O Contra-Ataque: “Problema de Amnésia” e “Despudor”

As declarações de Pedro Sousa ficam igualmente marcadas por um ataque direto às críticas da lista adversária. Artur Feio acusou a atual direção de “falta de foco”, inércia e de ter deixado a oposição à coligação de direita num completo vazio, espaço esse que acabou por ser ocupado por movimentos independentes.

Sem rodeios, o recandidato recusa imputar a si o ónus do esvaziamento político, devolvendo a acusação a quem liderou a oposição municipal durante quase uma década. Pedro Sousa sugere que o seu opositor interno padece de um “problema de amnésia”, lembrando que Artur Feio presidiu ao PS Braga durante sete anos (entre 2016 e 2022) e foi vereador ao longo de dois mandatos. Tendo ocupado o lugar de “líder da oposição” em todo esse período, o atual líder concelhio considera inexplicável que o ex-vereador tente agora sacudir as responsabilidades pelos resultados políticos do partido.

Pedro Sousa atira para o longo passado de liderança de Artur Feio para justificar as falhas na oposição

Numa última nota sobre este tema, o candidato da continuidade deixa um aviso contundente. Para Pedro Sousa, ouvir as críticas sobre a ausência de intervenção socialista vindas diretamente daquele que o antecedeu e geriu os destinos da oposição na câmara de Braga ultrapassa o limite da crítica política construtiva.

“Alguém que teve mais do que ninguém responsabilidades no vazio em que o Partido Socialista esteve votado nos últimos anos, vir hoje com essa narrativa ou é piada de mau gosto ou é despudor.”

A estocada final de Pedro Sousa sobre o alegado “vazio” na oposição socialista ao município

O ato eleitoral que vai ditar a liderança da concelhia do Partido Socialista de Braga e definir o rumo estratégico do partido na cidade está agendado para o próximo dia 20 de junho.

Nesta corrida às urnas, os militantes socialistas terão de escolher entre dois candidatos já conhecidos: de um lado, a lista da continuidade com a recandidatura do atual presidente, Pedro Sousa, do outro, a candidatura da oposição interna, encabeçada pelo antigo vereador Artur Feio.

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Ariana Azevedo
Ariana Azevedo

Jornalista na RUM

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