Braga 25 não se “esgotou”. Faz Cultura garante continuidade do legado e dinâmica de colaboração

Em entrevista à RUM, o responsável admitiu que à semelhança do mandato autárquico anterior, em que a "cultura foi uma prioridade", também neste mandato continua a ser uma área central nas prioridades do executivo e isso já se começa a "materializar nas políticas culturais".
Nuno Gouveia, administrador da Faz Cultura, em entrevista ao Campus Verbal:

O administrador executivo da Faz Cultura acredita que a Capital Portuguesa da Cultura não se esgotou em si própria. Prova disso são as iniciativas que surgiram pela primeira vez aquando da Braga 25 e que regressam em 2026 para continuar o legado pesado mas “positivo” da iniciativa que encheu a cidade com mais de 1300 iniciativas culturais. Para Nuno Gouveia, há pouco de seis meses no cargo, esta continuidade é um dos aspetos principais do plano que tem para Braga.


Cultura como prioridade para lá da Braga 25

Em entrevista ao Campus Verbal, o responsável admitiu que, à semelhança do mandato autárquico anterior, em que a “cultura foi uma prioridade”, também neste mandato continua a ser uma área central para o executivo e isso já se começa a “materializar nas políticas culturais”.

Coincidentemente, Nuno Gouveia assumiu a administração da empresa municipal pouco tempo depois da passagem de posse do testemunho do título para Ponta Delgada, em dezembro de 2025. Não tendo intervido diretamente na dinâmica cultural na altura, admite que este legado é “positivo” e merece continuidade.

Nuno Gouveia admite que legado da Braga 25 é “positivo”

“É um legado pesado, porque parece-me que é um legado positivo e nós temos que, obviamente, dar continuidade ao bom trabalho que foi executado no passado.”

De acordo com o responsável, Braga “sempre entendeu esta Capital Portuguesa de Cultura não como um ponto de chegada, mas como um ponto de partida” e como tal é um título que não se “esgotou”.

“Uma parte importante da programação que estava prevista para a Braga’27 concretizou-se na Braga’25 e isso permitiu uma nova forma de encarar a cultura em Braga, com o envolvimento de muito mais gente, muito mais artistas.”

Por isso, já este verão, está de volta à cidade o ‘Extremo Festival’ com um programa que se estende do nascer ao pôr do sol, cruzando viagens sonoras, performances, instalações e um conjunto de concertos de música exploratória e eletrónica. A iniciativa volta a ocupar o monte da Falperra, a 18 de junho, envolvendo o património religioso, natural e paisagístico não só de Braga, mas também do município vimaranense.

Responsável enumera algumas iniciativas da Braga 25 que regressam à região nos próximos tempos

Em janeiro de 2027, está de volta também o ‘Square Festival’. Durante três dias, Braga junta-se a Famalicão, Guimarães e Viana do Castelo para receber artistas dos três continentes banhados pelo Oceano Atlântico para discutir e partilhar as próprias culturas e forma de ver a arte.

O ‘Formas de Vizinhança’, o ‘Raiz’ e o programa de apoio a artistas emergentes ‘Supracasa’ também serão reeditados brevemente.

Nas palavras do responsável, esta dinâmica revela quão fundamental é para a cultura “trabalhar em conjunto” e aproveitar as dinâmicas culturais dos vários municípios que rodeiam a cidade dos arcebispos.

Responsável da Faz Cultura diz que há uma política de integração crescente entre concelhos vizinhos

“Nós somos um país demasiado pequeno para estarmos de costas voltados e o que me parece que tem acontecido com os responsáveis culturais é que cada vez mais há uma maior integração de políticas entre os concelhos.”

Para Nuno Gouveia, da mesma forma que toda a região beneficia dos encontros internacionais que a cidade acolheu nos últimos anos (como por exemplo, o encontro anual das Cidades Criativas da UNESCO e a cimeira anual da Eurocities), também há vantagens no facto de Guimarães ser Capital Verde Europeia, quer seja na coordenação de eventos em conjunto quer seja no movimentos dos turistas dentro do território.

As vantagens de partilhar a dinâmica cultural com outros municípios

“Sabemos que as pessoas de Braga vão a Guimarães e vão a Famalicão, as pessoas dos nossos concelhos vêm cá, nós vamos ao Porto, as pessoas do Porto vêm cá e, portanto, faz todo sentido este trabalho em rede que já existe e parece-me que é importante até fortalecer com novas iniciativas.”


Um ano de Braga 25 reunido em livro

DR

Fazendo jus a este processo de continuidade, será apresentado esta tarde, pelas 18h00, no Theatro Circo, o livro ‘B25’.

Nas suas páginas, juntam-se fotografias de algumas das mais de 1300 atividades que integraram o programa, bem como 25 testemunhos de participantes na construção da Braga 25: artistas, agentes culturais, associações, cidadãos bracarenses de diferentes áreas de intervenção.

Nuno Gouveia explica um pouco do que o público pode esperar do livro ‘B25’

Todo este processo ficará também disponível para consulta no site da Braga 25, que, também hoje, se transforma num repositório do programa da Capital Portuguesa da Cultura, reunindo publicações e outros conteúdos acessíveis a todas as pessoas.

Nas palavras do responsável, a Braga 25 “deixa à cidade um legado que importa preservar e valorizar. Esta publicação testemunha a capacidade de Braga afirmar a sua identidade cultural, mobilizar a comunidade e reforçar os laços que unem os bracarenses.”

O nosso compromisso é garantir que este legado continue a gerar novas oportunidades para a cultura, contribuindo para uma cidade mais dinâmica, coesa e preparada para os desafios do futuro.”

A entrevista completa de Nuno Gouveia ao Campus Verbal está disponível em podcast.

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José Silva Brás
José Silva Brás

Jornalista na RUM

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Carolina Damas
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