Artur Feio avança para a Concelhia do PS Braga com críticas à direção. “É urgente salvar o partido desta situação”

Artur Feio assumiu oficialmente a candidatura à liderança da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista (PS) de Braga, num escrutínio agendado para o próximo dia 20 de junho. O anúncio foi formalizado através de uma carta aberta nas redes sociais, em que o candidato sublinha tratar-se de uma “candidatura coletiva” focada em devolver o partido às bases e aproximá-lo da juventude. Em entrevista à RUM, o ex-vereador recorreu a um tom duro para avaliar a atual direção liderada por Pedro Sousa, acusando-a de falta de foco devido à acumulação de cargos e de inércia no executivo camarário. Ao que a Universitária apurou, o atual líder também deverá avançar com a recandidatura.
Uma “Candidatura Coletiva” e o Desafio das Bases
A decisão de entrar na corrida não decorre de um projeto pessoal, mas sim de um desafio construído em equipa. No manifesto publicado, o socialista vincou o seu “forte espírito de missão” e a urgência de construir um partido mais próximo, aberto e participativo. Além da promessa de uma maior presença territorial, o ex-vereador compromete-se a dedicar atenção especial à juventude, criando espaços reais de decisão para atrair e envolver novas gerações no debate cívico da cidade.
Esta publicação alinha-se inteiramente com o diagnóstico que é feito do trabalho no terreno. Artur Feio revela à RUM que foi desafiado por “uma larga maioria” dos presidentes de junta para dar resposta a uma estrutura que, alerta, padece de “uma presença pouco efetiva” e que “não tem uma penetração no território”. Lembrando que “não houve uma rejeição ao Partido Socialista” nas últimas autárquicas, o ex-vereador sublinha que a derrota “por perto de 300 votos” exigia, por si só, que a estrutura “assumisse a dianteira da oposição”.
Oposição entregue ao ‘Amar e Servir Braga’
Perante a ausência de liderança e proatividade por parte do PS depois das autárquicas, a 12 de outubro de 2025, o espaço de contestação ao executivo de João Rodrigues não ficou vazio. Socorrendo-se de uma análise pragmática do atual cenário político da cidade, o candidato reconhece abertamente que “hoje em dia o principal ator da oposição é um movimento político independente”. Artur Feio constata que foi o movimento Amar e Servir Braga, liderado por Ricardo Silva, que ganhou espaço, assumindo o papel de liderança e escrutínio à governação autárquica.
É precisamente este cenário de vazio na oposição que justifica o alerta lançado no seu manifesto nas redes sociais. Na carta dirigida aos militantes, assume que o objetivo desta corrida à concelhia é “devolver relevância política ao partido em Braga”. O candidato sublinha no texto que a cidade precisa de um PS que seja uma “voz ativa, próxima e influente”, criticando implicitamente a atual estrutura ao exigir um partido “que não apareça apenas em momentos eleitorais”. O desígnio é claro: recuperar o espaço que, nas ruas e nas reuniões de câmara, foi deixado à mercê de outros.
“Todos percebemos que, hoje em dia, o principal ator da oposição é um movimento político independente que teve essa capacidade de se unir e se apresentar a eleições autárquicas e que neste momento tem uma voz ativa. Nem sempre da forma que eu entendo pessoalmente que deveria ser, mas isso são questões de opinião. A verdade é que aquilo que percebemos é que vão liderando e vão tendo uma opinião crítica sobre aquilo que se vai fazendo na cidade. E é esse o papel que o Partido Socialista deve voltar a ocupar.“

Na hora de apurar responsabilidades para esta perda de peso na esfera local, o candidato aponta baterias de forma clara à atual liderança. Artur Feio argumenta que a direção foi enredada em “múltiplas facetas” e “desafios pessoais acolhidos pelo atual presidente”, que desviaram fatalmente a atenção daquilo que deveria ser o acompanhamento diário do partido. Ao detalhar a extensa lista de funções de Pedro Sousa, o ex-vereador elenca a acumulação entre o lugar de “vereador, presidente da concelhia”, a presença nos “órgãos nacionais” e a presidência da Associação de Futebol de Braga. Uma soma de inerências que, acusa, impossibilita em absoluto “criar o foco devido”.
A consequência mais ruidosa deste cenário, que o próprio Artur Feio descreve taxativamente como “um desmazelo” e “um quase abandono dos nossos autarcas”, manifesta-se no órgão máximo de decisão do município. O antigo vereador defende que a comissão política concelhia deveria ser a grande estrutura de suporte institucional aos seus eleitos, orientando e apoiando propostas, algo que considera estar completamente inativo. Revelando dificuldade em entender como é que um programa sufragado pelos bracarenses se mantém intocado, Artur Feio atira a farpa final ao sublinhar que “não é fácil percebermos que os vereadores do Partido Socialista não tenham até o dia de hoje apresentado uma única proposta” numa reunião do executivo municipal.
O ato eleitoral que vai determinar o rumo estratégico dos socialistas bracarenses realiza-se na tarde de 20 de junho. A Universitária sabe que Pedro Sousa vai avançar com a recandidatura, reservando as suas explicações para uma carta formal dirigida a todos os militantes do concelho.
