Braga Inaugura Muzeu como Farol Cultural e um exemplo “que deve frutificar”

Com três mil metros quadrados e cinco pisos que acolhem mais de uma centena de obras de arte de 85 artistas — na sua maioria mulheres e nacionais — o Muzeu – Pensamento e Arte Contemporânea foi inaugurado esta quinta-feira, em Braga, após um investimento de 40 milhões de euros assumido pela construtora bracarense dstgroup.
O presidente do grupo, José Teixeira, destacaou que a empresa gosta de ser servida e de “servir a partir da arquitetura, da arte, da literatura, da poesia, da música ou da fotografia”, sublinhando que o Muzeu é o lugar escolhido para partilhar com os outros o que “nos faz bem”.
Para o responsável, o projeto não é propriamente responsabilidade social, mas sim “um dever social”, defendendo que a educação cultural e o apoio às artes não são apenas papéis dos Estados e das cidades, mas também da economia. Alertou ainda que um mundo mais justo depende de as empresas “entrarem nesta partida”, afirmando que a educação, a formação e o conhecimento são a “vara de Arquimedes”.
Presente na inauguração, o Presidente da República, António José Seguro, reconheceu o espaço como um exemplo da realização de um princípio básico das democracias e da vida em sociedade: “a responsabilidade social da riqueza”. O governante apelou a que este exemplo “frutifique” não só nas artes, mas também na proteção do património, no incentivo à leitura e na inovação arquitetónica, defendendo o mecenato como um dever e uma obrigação moral.
Instalado no edifício onde funcionou o Tribunal Judicial de Braga, o espaço foi elogiado pelo presidente da Câmara Municipal, João Rodrigues, que afirmou que o local “vale sobretudo por aquilo que anuncia”.
O autarca ressaltou que a inauguração é a afirmação do que “pode e deve ser uma cidade”, celebrando uma Braga que quer continuar a crescer com sentido e com alma, sublinhando que a cidade “tem passado, mas não é uma cidade presa ao passado”.
Por sua vez, o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, destacou a componente inclusiva da iniciativa e a possibilidade de o espaço receber alunos das escolas da cidade.
O governante considerou “extraordinário o facto de um agente privado, uma família, dar à comunidade este espaço”, apesar de a educação e a cultura serem “funções primordiais da ação do Estado”, recordando ainda que, embora Braga tenha “muitos espaços de beleza”, não há muitos locais como este em Portugal.
A diretora e curadora Helena Mendes Pereira foi a responsável por guiar os primeiros visitantes oficiais desde a porta de entrada até à “escada infinita” no quinto andar, num espaço pensado em conjunto com o arquiteto Carvalho Araújo. O projeto foi desenvolvido em diálogo com a arquitetura, num processo que adaptou o edifício às intenções curatoriais.
Helena Mendes Pereira destacou o desejo de que a direção de instituições culturais e a curadoria deixem de ser voltadas para o “alimento do ego” e passem a ser um “exercício de escuta”, tendo como objetivo privilegiar artistas mulheres e estar permanentemente atento aos ecossistemas criativos de todas as geografias, para além dos eixos de Lisboa, Porto e capitais europeias.
Seguro vai apoiar o SC Braga na 1.ª mão das meias-finais da liga Europa
À margem deste que foi o seu primeiro ato oficial em Braga desde a tomada de posse, António José Seguro deixou ainda a garantia de que regressará com frequência à cidade. A próxima visita já tem data marcada para a próxima quinta-feira, no Estádio Municipal de Braga, onde o Presidente da República marcará presença para apoiar o SC Braga frente ao Freiburg, na 1.ª mão das meias-finais da Liga Europa.
Esta será a sua primeira presença num jogo de futebol enquanto Chefe de Estado, um momento que o próprio assinalou com humor ao garantir que a sua ajuda a este “grande momento europeu” do clube não passará por entrar em campo para jogar, brincou.










