Nasceu em Braga um MUZEU para contemplar a arte em silêncio. “Sem arte, não existe vida”

A frase é da autoria de José Teixeira, que esta manhã abriu as portas do campus do dstgroup, o museu a céu aberto da empresa, para falar do espaço que abrirá portas em definitivo no centro da cidade a 25 de abril. Assume que se trata de um "dever social" e lembra que, num tempo em que tudo é rápido, "a ignorância é pior do que a pobreza".
José Teixeira, à margem de uma visita dos jornalistas ao campus do dstgroup:

O novo espaço dedicado à arte contemporânea, à filosofia e ao debate público está prestes a abrir no coração da cidade dos Arcebispos. Outrora edifício do Tribunal Judicial de Braga, nasce no número 62 da Praça do Município o MUZEU, que se propõe a ser uma “catedral” de silêncio e reflexão numa era de consumos rápidos.

O projeto chegou a ser pensado há 12 anos para integrar a estratégia cosmopolita da cidade, mas foi o investimento estritamente privado que o tornou realidade. O edifício foi totalmente reabilitado pelo arquiteto José Carvalho Araújo. Ao longo de cinco andares e cerca de 3.000 metros quadrados, o espaço faz agora conviver a arte contemporânea com vestígios arqueológicos, incluindo a secção mais antiga da muralha da cidade, do século XIV.

Para o engenheiro, colecionador e presidente do dstgroup, José Teixeira, o investimento de fundos privados num museu, em vez de noutras causas, responde a uma urgência maior: a de combater a ignorância.

A ideia, que começou a ser desenhada há cerca de 12 anos para integrar a estratégia cosmopolita da cidade, acabou por se materializar através do investimento estritamente privado. Para o engenheiro, colecionador e presidente do dstgroup, José Teixeira, investir na arte em detrimento de outras causas não é um desvio de atenção, mas antes a resposta a uma urgência maior.

O presidente do dstgroup defende que a arte é uma ferramenta fundamental para combater a ignorância, que considera “pior do que a pobreza”

“A arte é ferramenta, a poesia é ferramenta, a literatura é ferramenta, como a dança é ferramenta. São instrumentais para na realidade haver a fuga da pobreza, a fuga da miséria. E é aí que me vem sempre à cabeça aquela de Vítor Hugo numa assembleia em França, que dizia que na realidade a ignorância é pior do que a pobreza.”


O Dever Social acima dos impostos

A abertura do MUZEU vai muito além do conceito tradicional de responsabilidade social corporativa. José Teixeira encara este passo como um verdadeiro “dever social”, um imperativo moral de devolver à comunidade a riqueza que, em parte, foi gerada graças a ela.

O colecionador sublinha o “dever social” da empresa para com a comunidade e o seu compromisso não escrito de garantir “uma vida boa para todos”

“Esse dever, essa compensação vai para além dos impostos que nós pagamos, vai para além do contrato que nós temos com os nossos trabalhadores e é um contrato que não é escrito e esse tem muito mais valor Eu tenho este compromisso, eu quero uma vida mais justa. Eu quero uma vida boa para todos os que habitam aqui a minha pólis.”

José Teixeira

Um antídoto contra a superficialidade

Numa época marcada pela velocidade, pela inteligência artificial e pelo conhecimento superficial, o novo MUZEU quer assumir-se como um local de pausa. A âncora do espaço é o trabalho do aclamado artista alemão Anselm Kiefer, funcionando como um “isco” para atrair o público a um ambiente que se pretende quase religioso na sua capacidade de provocar o espanto.

Um espaço para a “procura íntima”: José Teixeira descreve o MUZEU como uma verdadeira catedral dedicada ao silêncio, à contemplação e ao espanto

“O museu tem de ser feito com silêncio. O museu é o sítio da contemplação e mesmo para não crentes ele é mesmo um sítio onde se pode rezar. E há várias formas de construir uma prece. É com um olhar, é com o sentir, é com deixar-se tocar.”


Para esta tarde, às 16h30, está agendada uma visita guiada aos jornalistas, conduzida pela diretora e curadora do MUZEU, Helena Mendes Pereira (ela que será convidada do Campus Verbal, programa de grande entrevista da RUM, que vai para o ar depois do noticiário das 20h00), acompanhada pelo arquiteto responsável pela obra, José Carvalho Araújo.

Para as 17h30, está agendado um ensaio geral da artista RITA GT com as cantadeiras, seguindo-se um momento de convívio e debate, às 18h00, que volta a juntar a direção, a arquitetura e a administração do grupo dst.

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Ariana Azevedo
Ariana Azevedo

Jornalista na RUM

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Carolina Damas
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