Nasceu em Braga um MUZEU para contemplar a arte em silêncio. “Sem arte, não existe vida”

O novo espaço dedicado à arte contemporânea, à filosofia e ao debate público está prestes a abrir no coração da cidade dos Arcebispos. Outrora edifício do Tribunal Judicial de Braga, nasce no número 62 da Praça do Município o MUZEU, que se propõe a ser uma “catedral” de silêncio e reflexão numa era de consumos rápidos.
O projeto chegou a ser pensado há 12 anos para integrar a estratégia cosmopolita da cidade, mas foi o investimento estritamente privado que o tornou realidade. O edifício foi totalmente reabilitado pelo arquiteto José Carvalho Araújo. Ao longo de cinco andares e cerca de 3.000 metros quadrados, o espaço faz agora conviver a arte contemporânea com vestígios arqueológicos, incluindo a secção mais antiga da muralha da cidade, do século XIV.
Para o engenheiro, colecionador e presidente do dstgroup, José Teixeira, o investimento de fundos privados num museu, em vez de noutras causas, responde a uma urgência maior: a de combater a ignorância.
A ideia, que começou a ser desenhada há cerca de 12 anos para integrar a estratégia cosmopolita da cidade, acabou por se materializar através do investimento estritamente privado. Para o engenheiro, colecionador e presidente do dstgroup, José Teixeira, investir na arte em detrimento de outras causas não é um desvio de atenção, mas antes a resposta a uma urgência maior.
“A arte é ferramenta, a poesia é ferramenta, a literatura é ferramenta, como a dança é ferramenta. São instrumentais para na realidade haver a fuga da pobreza, a fuga da miséria. E é aí que me vem sempre à cabeça aquela de Vítor Hugo numa assembleia em França, que dizia que na realidade a ignorância é pior do que a pobreza.”
O Dever Social acima dos impostos
A abertura do MUZEU vai muito além do conceito tradicional de responsabilidade social corporativa. José Teixeira encara este passo como um verdadeiro “dever social”, um imperativo moral de devolver à comunidade a riqueza que, em parte, foi gerada graças a ela.

“Esse dever, essa compensação vai para além dos impostos que nós pagamos, vai para além do contrato que nós temos com os nossos trabalhadores e é um contrato que não é escrito e esse tem muito mais valor Eu tenho este compromisso, eu quero uma vida mais justa. Eu quero uma vida boa para todos os que habitam aqui a minha pólis.”
– José Teixeira
Um antídoto contra a superficialidade
Numa época marcada pela velocidade, pela inteligência artificial e pelo conhecimento superficial, o novo MUZEU quer assumir-se como um local de pausa. A âncora do espaço é o trabalho do aclamado artista alemão Anselm Kiefer, funcionando como um “isco” para atrair o público a um ambiente que se pretende quase religioso na sua capacidade de provocar o espanto.
“O museu tem de ser feito com silêncio. O museu é o sítio da contemplação e mesmo para não crentes ele é mesmo um sítio onde se pode rezar. E há várias formas de construir uma prece. É com um olhar, é com o sentir, é com deixar-se tocar.”
Para esta tarde, às 16h30, está agendada uma visita guiada aos jornalistas, conduzida pela diretora e curadora do MUZEU, Helena Mendes Pereira (ela que será convidada do Campus Verbal, programa de grande entrevista da RUM, que vai para o ar depois do noticiário das 20h00), acompanhada pelo arquiteto responsável pela obra, José Carvalho Araújo.
Para as 17h30, está agendado um ensaio geral da artista RITA GT com as cantadeiras, seguindo-se um momento de convívio e debate, às 18h00, que volta a juntar a direção, a arquitetura e a administração do grupo dst.
