‘Sejamos realistas, exijamos o impossível’. Um novo fôlego da arte contemporânea nasce em Braga

Esta terça-feira, a dois dias da inauguração oficial, a comunicação social teve livre acesso ao espaço e pôde participar de uma visita guiada a cargo da diretora e curadora Helena Mendes Pereira, que começou logo pela fachada do edifício.

Sem um roteiro fixo ou uma organização diacrónica, mas assente numa lógica comunitarista, a exposição ‘Sejamos realistas, exijamos o impossível’, patente no Muzeu – Pensamento e Arte Contemporâneo DST, pode ser visitada gratuitamente já este sábado, 25 de abril.

Esta terça-feira, a comunicação social teve livre acesso ao espaço e pôde participar de uma visita guiada pela coleção a cargo da diretora e curadora Helena Mendes Pereira.

Contrariando sistemas instalados, os cerca de três mil metros quadrados do recinto, que se estende por cinco pisos, acolhem mais de uma centena de obras de arte, de 85 artistas, a maioria mulheres e nacionais.

Da fotografia, uma disciplina especialmente presente nesta coleção, à escultura, passando pela tapeçaria e até performance, a exposição permanente aborda temas como as desigualdades, a solidão, a sociedade da vigilância, o pós e o neocolonialismo, a violência de género, a fé e a espiritualidade.

A visita que começa logo pela porta de entrada, na fachada sul assinada por José Pedro Croft, evoca a eternidade e as portas em bronze são a peça central de uma estrutura que relembra o visitante de que “não existe futuro sem olhar para o passado”.

Fachada do ‘Muzeu’ da autoria de José Pedro Croft
Diretora do ‘Muzeu’ explica fachada do edifício criada por José Pedro Croft

Já na receção, o espaço é ocupado e divido pela “maior e mais importante parte” da muralha medieval bracarense.

Na visão do arquiteto José Carvalho Araújo, esse vestígio arqueológico divide a entrada, a receção, do local onde as pessoas se reúnem para dar início a uma viagem. Para além disso, o ‘Muzeu‘ abre uma nova ‘Praça‘ na cidade.

A partir deste ponto, pelo qual se estendem obras que evocam um lugar público de encontro, os visitantes têm acesso ao resto do Muzeu, onde cada piso encapsula um tema caro à família e ao colecionador.

Helena Mendes Pereira explica conceito da ‘Praça’ criada pelo arquiteto José Carvalho Araújo
Primeiro piso do ‘Muzeu’ – ‘Praça’

“Na ideia do arquiteto Carvalho Araújo, uma pessoa fundamental neste projeto, o Muzeu era uma terceira praça. Uma praça que liga as praças do Município e a Conde de Agrolongo”

No piso inferior, um elogio ao trabalho e às obras que ocupam o campus do dstgroup, a partir do qual se ergue a coleção e, consequentemente, este novo espaço.

No piso superior a expressão do histórico de mecenato de José Teixeira a vários projetos. Neste piso, o conjunto de obras têm em comum a presença do corpo visto de diferentes perspetivas ao longo das últimas décadas, da figuração enquanto objeto de representação e de ação política.

Obras que Helena Mendes Pereira destaca na Praça, no piso -1 e no piso dois

No piso três, a ‘Alma da Casa’, ou o espaço mais pessoal do engenheiro José Teixeira. Aqui, para além das obras serem escolhidas por ele próprio, o espaço direciona o visitante à galeria Olimpo, inteiramente dedicada a Anselm Kiefer.

Galeria ‘Olimpo’ onde estão expostas obras de Anselm Kiefer

No quarto e último piso, o ‘Infinito e Mais Além’ é simbolizado por uma escada que não termina. O espaço é ainda partilhado pela Assembleia e por uma exposição de homenagem ao colecionador.

Malabarista Anestesiado de Fernão Cruz (PT, 1995) e escada infinita

Com esta abertura, o Muzeu – Pensamento e Arte Contemporânea DST consolida-se como um novo polo central na geografia cultural de Braga, ligando o património histórico à criação artística de vanguarda.

O acesso à exposição permanente é gratuito já este sábado, 25 de abril, e todas as quintas-feiras, permitindo ao público o contacto com um acervo que promete marcar o debate sobre a arte e o pensamento contemporâneo em Portugal.

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José Brás
José Brás

Jornalista na RUM

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