UMinho lança guia digital para conhecer “laboratório vivo” da costa vianense

O projeto, que resulta de uma parceria entre a Escola de Ciências e a autarquia vianense, integra as áreas de Biologia, Geologia, Física, Química e Matemática.
O investigador Ricardo Carvalhido em entrevista à RUM:

Chama-se “Caminhada com Ciência” o novo guia para descobrir a costa de Viana do Castelo. O documento digital convida a explorar um “laboratório vivo” de oito quilómetros, situado entre a Praia Norte e o Fortim de Paçô. O projeto, que resulta de uma parceria entre a Escola de Ciências da Universidade do Minho e a autarquia vianense, integra as áreas de Biologia, Geologia, Física, Química e Matemática.

A coordenação do projeto foi assinada por Amaro Rodrigues, Raimundo Castro e Ricardo Carvalhido que, em entrevista à RUM, explicou o objetivo deste documento: democratizar a ciência e permitir que qualquer pessoa explore o território livremente, seja “especialista ou não”.

Este guia foi desenhado para que os visitantes possam revisitar o percurso várias vezes. Mais importante, para o investigador, é fazer chegar este guia aos professores, que possam, depois, dinamizar uma caminhada pelo percurso junto dos alunos.

Ricardo Carvalhido e os objetivos do guia, que se dirige a qualquer pessoa interessada em fazer o percurso

O percurso costeiro atravessa os três grandes monumentos naturais do aspirante a Geoparque Litoral de Viana do Castelo: as Pedras Ruivas, o Canto Marinho e o Alcantilado de Montedor. Ao longo da caminhada, os visitantes não só podem observar a fauna e a flora locais, como se deparam com marcas geológicas imponentes.

Ricardo Carvalhido descreve a forma como a linha de costa foi desenhada, ao longo de milhões de anos, como um autêntico “bailado” entre a terra e a água. Aqui, “o oceano vai subindo e descendo a um ritmo que é também marcado pelo movimento do nosso planeta no espaço, como se fosse um pião”.

O desenho da costa como produto de um “bailado” da terra e da água

A atividade sísmica e as sucessivas alterações climáticas, especialmente através das oscilações no nível da água do mar, gravaram na paisagem aquilo a que o investigador chama de “calçada de gigantes”.

“Quando olhamos para a paisagem, vemos os níveis antigos do mar, de há 124 mil, 220 mil, 330 mil e 410 mil anos: dos cinco metros, dos oito metros, dos 13 metros e dos 18 metros.

A costa vianense conta histórias do passado da zona

A riqueza geológica e a biodiversidade envolvente, que inclui dunas, fósseis e aves costeiras, está agora detalhada nas 147 páginas do novo guia, disponível para consulta gratuita online.

c/Ariana Azevedo

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David Alves Braga
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