‘Separados pelo ICE’ é a imagem vencedora do World Press Photo 2026

Captada por Carol Guzy para o Miami Herald, 'Separados pelo ICE' é a Fotografia do Ano da World Press Photo 2026, anunciou a associação neerlandesa na manhã desta quinta-feira.

A fotografia documenta o momento em que um imigrante equatoriano é separado da sua família. Fora detido pelo ICE após comparecer numa audiência de rotina num tribunal de Nova Iorque.

A t-shirt é agarrada firmemente por uma mão que tenta puxar o homem para si, os rostos mostram medo e desespero. O homem é Luis, um imigrante equatoriano, os rostos são os das suas filhas. Luis fora detido pela infame Immigration and Costums Enforcement (ICE), a polícia de imigração norte-americana, após ter-se apresentado, como requerido pelas autoridades, a uma audiência dita de rotina no Tribunal de Imigração de Nova Iorque, na Federal Plaza.

Captada por Carol Guzy para o Miami Herald, Separados pelo ICE é a Fotografia do Ano da World Press Photo 2026, anunciou a associação neerlandesa na manhã desta quinta-feira.

Integrada num trabalho mais extenso de Carol Guzy, veterana fotógrafa norte-americana, 70 anos, ICE Arrests at New York Court [“Detenções do ICE no Tribunal de Nova Iorque”], a imagem distinguida pela World Press Photo não documenta um acontecimento isolado, “mas um procedimento aplicado indiscriminadamente às pessoas que se deslocavam de boa fé às inquirições”, refere o comunicado enviado à imprensa.

“É prova e documentação de uma política governamental que está a ser aplicada de forma sistemática a pessoas que cumpriram as regras que lhes foram fornecidas.”

Luis, imigrante equatoriano sem registos criminais, segundo afirma a sua família, era o único sustento da casa que partilhava com a mulher e os filhos, de sete, 13 e 15 anos. Integra, como referido acima, o trabalho ICE Arrests at New York Court, em que Carol Guzy documentou as detenções de imigrantes convocados para audiências que lhes eram comunicadas como sendo de rotina, e as consequentes separações familiares daí abruptamente advindas.

“Este prémio destaca a importância crucial desta história a nível mundial”, afirma Carol Guzy no comunicado da World Press Photo. “Testemunhamos o sofrimento de inúmeras famílias, mas também a sua dignidade e resiliência, que transcendem a adversidade, o que tem sido uma verdadeira lição de humildade”. O prémio, diz Carol Guzy, não lhe pertence a ela, mas, “sem dúvida”, aos imigrantes e suas famílias.

Joumana El Zein Khoury, director executivo da World Press Photo, realça que a fotografia premiada, que “mostra a dor inconsolável de crianças que perderam o pai num local construído para fazer justiça”, é “um exemplo poderoso” da importância do fotojornalismo independente. “É um registo cru e necessário da separação familiar resultante das reformas políticas dos EUA. Numa democracia, a presença da câmara naquele corredor serve como testemunho de uma política que transformou os tribunais em locais onde vidas são destruídas”.

Como habitualmente, foram anunciadas igualmente as outras duas fotos finalistas do World Press Photo, prémio criado há sete décadas pela organização sem fins lucrativos com o mesmo nome, sedeada em Amesterdão. São elas Ajuda de emergência em Gaza, de Saber Nuraldin, e As provações das mulheres Achi, de Victor J. Blue.

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