Roxana Ionesco leva tradição romena ao Theatro Circo

Uma viagem à origem dos medos e um ritual de reconexão que se desenrola a partir da tradição ancestral pagã romena e moldava, a cabra do ano novo. É este o mote do espetáculo ‘CAPRA – or how to say hello to fear’, escrito e interpretado por Roxana Ionesco, que sobe ao palco do Pequeno Auditório do Theatro Circo esta sexta-feira pelas 21H30.
Partindo do medo “comum” daquilo que é o desconhecido, o espetáculo cruza a dança tradicional romena com música tocada ao vivo e o teatro para dar corpo aos receios dos próprios interpretes e “de grande parte da sociedade romena” que contacta com aquela tradição.
Também na vida real a figura da cabra surge aliada ao ruído, mas aqui o objetivo é celebrar coletivamente “o final do ano anterior e o início do ano novo”, revela Roxana Ionesco.
“Nesta tradição, pessoas disfarçadas de cabras, juntamente com outras que tocavam instrumentos e faziam barulho, andavam de casa em casa com o objetivo de celebrar o final do ano anterior e o início do ano novo. Apesar de ser uma celebração, como fazia imenso barulho, metia muito medo à sociedade romena. Além disso, a própria cabra era vista como o diabo na terra.
As próprias recordações da encenadora e das interpretes com quem partilha o palco serviram de base para construir o espetáculo.
“O nosso objetivo era perceber se existe alguma coisa que está na base de todos os nossos medos e chegámos à conclusão que o que existe na base de todos os medos é uma espécie de desconhecido”, revela.
Neste sentido, intersectando o tradicional passado com elementos futuristas, ‘CAPRA – or how to say hello to fear’ propõe expor o medo não para o eliminar, mas para aprender a habitá-lo e ultrapassá-lo.
Por isso, em palco, “a própria figura da cabra existe”. Uma ligada à tradição, outra entre o tradicional e o presente, e uma terceira mais ligada “a um tradicional futuro, que tem elementos também mais tecnológicos”.
Entre respirações ofegantes, risos e suor, corpos dançantes procuram abrir caminho para uma outra possibilidade de existência – um lugar onde o desconhecido deixa de paralisar e passa a impulsionar. Nesse percurso, constroem-se paisagens visuais e sonoras que dão forma ao invisível, tornando o medo matéria partilhada e transformadora.
A apresentação faz parte da celebração dos 111 anos do Theatro Circo e integra o SUPRACASA, o projeto de legado da Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura.
