Requalificação do Nó de Infias em Braga será consignada esta semana

A requalificação do Nó de Infias, considerado um dos principais constrangimentos rodoviários de Braga, vai ser consignada esta semana. O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara Municipal, João Rodrigues, durante a reunião quinzenal do executivo municipal, esta segunda-feira.
A intervenção, que representa um investimento de cerca de 11,3 milhões de euros e conta com um prazo de execução de 660 dias, incidirá na interceção da EN101 com a EN14. Para João Rodrigues, o arranque dos trabalhos traduz-se num “momento histórico para a cidade”, lembrando que a obra era reclamada “há décadas”.
O autarca assegurou que a autarquia solicitou à Infraestruturas de Portugal (IP) que os trabalhos decorram preferencialmente à noite nos períodos de maior constrangimento, com o claro objetivo de minimizar os problemas de tráfego na região.
Na reunião, João Rodrigues aproveitou para responder às críticas das forças da oposição, apontando que o avanço do projeto contraria “a ideia de que a única coisa que se está a fazer, que é manifestamente errado e falso, era reverter medidas do passado”.
O anúncio, no entanto, foi acolhido com ceticismo e reparos por parte das forças políticas da oposição, que alertam para a insuficiência da obra isolada e criticaram os atrasos no processo administrativo.
Do lado do Partido Socialista (PS), a vereadora Martinha Rocha manifestou alívio com o arranque, mas criticou à falta de desenvolvimentos noutros eixos estruturais prometidos para o concelho. A vereadora sublinhou que “é uma obra necessária para o concelho” e que, após muito tempo de espera, o PS fica satisfeito por vê-la arrancar.
Contudo, recordou que ainda estão à espera da Variante do Cávado que “foi prometido o grupo de trabalho, mas até agora não sabemos assim de mais nenhum avanço”.
Oposição critica a falta de estratégia à escala na mobilidade do concelho

As críticas à gestão dos prazos e à burocracia do processo ganharam eco também pela voz da Iniciativa Liberal. Rui Rocha considerou esta “obra necessária, embora não vá resolver os fundamentais problemas do trânsito em Braga”.
O liberal criticou severamente o desfasamento entre a propaganda e a execução administrativa, acusando o presidente de demonstrar pressa no anúncio em janeiro, sendo que “o protocolo até hoje não foi assinado”.
“Cada dia que passa, cada semana que passa, cada mês que passa é um mês de atraso na concretização dessa obra”.
Pelo movimento independente Amar e Servir Braga (ASB), Ricardo Silva lamentou o tempo perdido e sustentou que as políticas de mobilidade em Braga não podem assentar em remendos locais. O independente classificou a notícia como algo que “já peca por tardia, tendo em conta que já teve vários anúncios, várias datas”.
Ricardo Silva seguiu a posição do vereador liberal e apontou que “esta obra por si não vai resolver o problema que lhe está subjacente, que é a mobilidade”, defendendo que é preciso “uma estratégia, de facto, pensada em macroescala em todo o concelho”, ressaltou.
Esta apreensão é partilhada por Filipe Aguiar, representante do Chega, que se mostrou na expectativa de que a promessa camarária se cumpra desta vez, lembrando que o projeto já foi alvo de múltiplos anúncios no passado. Reiterou ainda que com “o Nó de Infias, o impacto vai ser muito residual sem a variante do Cávado”.
A empreitada prevê aumentar a capacidade de escoamento de tráfego e requalificar as ligações da EN101 à Avenida António Macedo e as saídas de Braga. O projeto contempla ainda a criação de novos ramos de ligação entre as duas estradas nacionais, a reformulação de acessos rodoviários e pedonais, além de trabalhos de terraplenagem, drenagem, pavimentação, sinalização e a execução de obras de arte especiais.
