Requalificação do Nó de Infias. O desafio de 660 dias de obras e o esforço para evitar o caos no trânsito

A aguardada e complexa requalificação do Nó de Infias, identificada como o principal estrangulamento rodoviário de Braga, vai avançar para a fase de consignação já em julho. A empreitada, a cargo da Infraestruturas de Portugal e avaliada em 11,3 milhões de euros, traz consigo um prazo de execução de 660 dias, levantando profundas preocupações sobre os desvios de trânsito e a obrigatoriedade de trabalhos noturnos para minimizar o impacto logístico e rodoviário no quotidiano dos bracarenses.
A Envergadura de Uma Intervenção Estrutural
A obra tem como foco a interseção da Variante EN101 com a Circular Norte EN14, visando resolver os crónicos engarrafamentos nas saídas da cidade e na ligação à Avenida António Macedo. A complexidade do projeto, justificada pelo avultado orçamento, envolve a criação de novos ramos de ligação, trabalhos profundos de terraplenagem e drenagem, repavimentações e ainda a execução de obras de arte especiais (pontes ou viadutos). Trata-se de um estaleiro de grandes dimensões que colidirá com a rotina de milhares de automobilistas ao longo dos próximos dois anos.
Face à iminência das pesadas máquinas no terreno, a ausência de um planeamento de desvios atempado gera ansiedade. O vereador Ricardo Silva, representante do movimento Amar e Servir Braga (ASB), chamou a atenção para o desgaste emocional provocado pelos sucessivos atrasos e avanços da intervenção. Para a oposição, é imperativo que as entidades responsáveis comuniquem claramente os novos trajetos, uma vez que, seja qual for a gestão de horários da obra, os bloqueios físicos serão sempre uma realidade.
“É preciso mostrar às pessoas hoje quais são as alternativas que elas terão à disposição para poder ultrapassar as obras do Nó de Infias. Porque, ainda que haja aqui uma vontade de fazer as obras em período noturno, não é menos verdade que, seja em diurno ou noturno, vai criar sempre um obstáculo, vai criar aqui mais uma circunstância e mais adiamentos no trânsito.”
Ricardo Silva, vereador
Trabalhos noturnos para minimizar impacto
A Câmara Municipal de Braga tem procurado articular com a Infraestruturas de Portugal (IP) soluções que reduzam a fatura para a mobilidade da cidade, pressionando para que as fases de maior obstrução da via decorram enquanto a cidade dorme. O presidente da autarquia, João Rodrigues, confirmou que estas exigências têm sido bem acolhidas pela IP, assemelhando-se às táticas aplicadas na recente repavimentação da via rápida. Contudo, o presidente foi taxativo ao desmistificar a ideia de que a totalidade da empreitada pudesse ser escondida durante a noite.
“A obra nunca vai poder ser toda feita em período noturno. O que queríamos era que, nos momentos de maior constrangimento, quando é preciso encerrar as vias todas e não se consegue passar, esses trabalhos fossem feitos em período noturno, como tem acontecido nas pavimentações da via rápida. Agora, não há milagres.“
João Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Braga
Com o ato de consignação apontado como “muito breve” para o início de julho, o relógio dos 660 dias começará a contar, estando a instalação física do estaleiro dependente da calendarização exata do empreiteiro adjudicatário. O debate prendeu-se com o porquê de não confinar as operações estritamente ao período noturno. A resposta reside nas condicionantes da engenharia pesada: restringir uma obra desta escala à noite inviabilizaria os custos e dilataria o tempo total de sofrimento rodoviário.
