Péter Magyar eleito novo primeiro-ministro da Hungria

As sondagens confirmaram-se e o líder da oposição, o pró-europeu de centro-direita, Péter Magyar, venceu um dos escrutínios mais disputados de sempre na Hungria. A votação, histórica, rondou os 80 por cento entre oito milhões de eleitores, um recorde para o país.

Milhares de húngaros encheram as ruas de Budapeste para ouvir o discurso do vencedor, mal se souberam os resultados preliminares.

Pelas 23h00 locais, Petér Magyar surgiu e não desiludiu no entusiasmo da vitória.

“Meus compatriotas húngaros, conseguimos!” disse Magyar à multidão que o aplaudiu delirante.

“O Tisza e a Hungria ganharam as eleições. Não por uma pequena margem, mas por uma margem muito grande”, acrescentou. “Juntos, libertámos a Hungria.”

“Obrigado. Isto não teria sido possível sem vocês”, continuou. “A nossa vitória pode não ser visível da lua, mas é visível em toda a Hungria”, brincou ainda, numa alusão ao discurso de vitória de Orbán em 2022.Baseando-se na tendência dos resultados, Magyar garantiu que “teremos uma maioria de dois terços no parlamento”. Um resultado que lhe dá plena margem de manobra para fazer as reformas que prometeu.

Com a multidão a entoar “russos vão para casa” e “Europa! Europa!”, Magyar disse que os húngaros “disseram sim à Europa” com este voto.

“O novo governo tem uma grande tarefa pela frente” reconheceu perante a enorme multidão, prometendo que o seu partido trabalhará todos os dias para merecer a confiança que lhe foi depositada com esta vitória.

Pediu ainda aos seus apoiantes que celebrem pacificamente esta noite, antes de iniciarem a “reconstrução” do país amanhã.

Magyar apelou também Viktor Orbán a que não tome qualquer medida, entre agora e a sua saída formal do cargo, que possa obstruir o trabalho do novo governo quando este for formado.

Os “fantoches” do governo de Orbán devem sair. “As instituições do Estado precisam de mudar”, refere prometendo reaturar “os mecanismos de controlo e equilíbrio”.

“Irei restaurar a democracia húngara!”, clama. A partir de agora, a Hungria “não voltará a ser um país sem consequências”, lembrando que aqueles que “roubaram o país terão de enfrentar as consequências”.

Durante várias horas, o clima na capital húngara foi de festa e de esperança. Houve quem descolasse, para levar consigo, cartazes de campanha do Tisza, para recordar esta eleição que vira o país. Em redor da Praça Kossuth Lajos, onde se situa o parlamento húngaro, as ruas ficaram rapidamente apinhadas com milhares de húngaros, na sua maioria jovens, a celebrar o resultado das eleições.

A sobrelotação da estação de metro junto à praça Kossuth Lajos, obrigou a desligar as escadas rolantes, com muitas pessoas a tentarem, sem sucesso, chegar à plataforma para se juntarem às celebrações do Tisza do outro lado do Danúbio.

Sem desanimar, a multidão do lado de Peste – as pessoas que não conseguiram entrar no metro cheio – aplaudiram ruidosamente os discursos vindos do outro lado, escutando-os atentamente, tento os que conseguiam ouvir do outro lado do rio, como os outrosque seguiam através de transmissões em direto.

Por toda a cidade, filas de carros buzinaram, juntando-se à multidão.

Resultado “claro e doloroso”
Viktor Orbán reconheceu a derrota e concedeu a eleição para Péter Magyar, presidente do Tisza apenas uma hora e meia após o encerramento das urnas, 

O resultado é “claro” e “doloroso” para o Fidesz, afirmou Viktor Orbán no seu discurso da noite eleitoral, revelando já ter felicitado o rival. 

“A responsabilidade e a possibilidade de governar não nos foram dadas. Felicito o vencedor”, disse Orbán aos seus apoiantes em Budapeste.

“Vamos servir a nação húngara e a nossa pátria também na oposição”, acrescentou, assumindo que não se irá afastar da vida política ativa, pelo contrário.

Agradecendo aos eleitores que votaram no Fidesz, Orbán prometeu que nunca os iria desiludir. “Nós nunca desistimos, isso é algo que as pessoas sabem sobre nós, nós nunca desistimos. Os dias que virão são para curarmos as nossas feridas”, prometeu.

Maioria constitucional

Com praticamente 97 por cento dos votos apurados, confirma-se que o partido Tisza irá obter uma maioria de dois terços. Prevê-se que o Tisza conquiste 138 lugares no novo parlamento, contra apenas 55 do Fidesz e seis do partido de extrema-direita Mi Hazank.

A confirmar-se esta previsão, o Tisza obterá a maioria constitucional de dois terços, necessária para revogar as leis da era Orbán e rever a Constituição.

Magyar é essencialmente conservador, mas uniu um amplo espectro de húngaros.

Espera-se que o governo que irá formar e que tomará posse dentro de dois meses, incluirá especialistas em saúde e educação, bem como economistas, cuja principal tarefa será a de resolver os problemas crónicos que têm surgido nas escolas, nos hospitais e na economia em geral.

Reações europeias

A eleição de Magyar é um alívio para os principais dirigentes europeus, depois de 16 anos de oposição de Orbán às políticas de Bruxelas.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, expressou isso mesmo ao felicitar a mudança efetuada. “O coração da Europa bate mais forte na Hungria esta noite”, reagiu.

O chanceler alemão, Friederick Merz, felicitou Magyar pela vitória nas eleições e manifestou o desejo de cooperação para uma Europa unida, forte e segura. “Aguardo com expectativa a oportunidade de trabalhar convosco”, escreveu Merz na rede X.

O presidente Emmanuel Macron, disse que “a França saúda esta vitória, que demonstra o apego do povo húngaro aos valores da união europeia”, revelando também que já tinha ligado ao vencedor.

“É importante quando uma abordagem construtiva é vitoriosa”, escreveu por seu lado no Telegram, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, cujos pedidos de ajuda foram ativamente combatidos pelo antecessor de Magyar, Viktor Orbán.

Estamos prontos para nos encontrarmos e trabalharmos juntos de forma construtiva, em benefício dos nossos povos e também em prol da paz, segurança e estabilidade na Europa”, acrescentou.

Seguro e Montenegro felicitam

Em Portugal, uma nota do chefe do Estado português, publicada nas contas oficiais da Presidência, no Instagram e Facebook, saudou “o povo húngaro pela elevada participação nas recentes eleições, expressão clara do compromisso cívico e da vitalidade democrática da Hungria”. O presidente da República desejou a Péter Magyar um mandato que “corresponda a um firme compromisso com os valores fundamentais que unem os povos europeus: o respeito pelo projeto europeu, a promoção da paz e a observância do direito internacional”.

António José Seguro realçou depois que, “num momento particularmente exigente para a Europa e para o mundo”, manifesta “a sua confiança de que a Hungria desempenhará um papel construtivo e responsável no reforço da cooperação europeia, no apoio ao povo ucraniano e na promoção da paz no seio da Europa”.

Luís Montenegro reagiu na sua conta oficial na rede social X (antigo Twitter), felicitando na mensagem Péter Magyar pela “vitória nas eleições legislativas da Hungria”.

“Que esta nova etapa, fundada numa ampla participação democrática, permita um trabalho conjunto em prol do projeto europeu e dos seus valores e princípios fundamentais”, desejou ainda o primeiro-ministro.

Quem é Péter Magyar

Péter Magyar fez campanha com apelos a uma “mudança de sistema”, prometendo combater a corrupção, reaproximar a Hungria da Europa e reverter as polémicas reformas da era Orbán, caso vencesse as eleições.

O primeiro-ministro eleito tem 45 anos, completados a 16 de março, e é um político e advogado húngaro, presidente do Partido Tisza e líder da principal oposição na política húngara.

É deputado do Parlamento Europeu desde 2024, tendo conquistado 30 por cento dos votos nas eleições europeias e estando inserido no grupo Partido Popular Europeu, cargo que ocupa em simultâneo com a presidência do Tisza.

Assegura que vai varrer a corrupção no país.

Partilhe esta notícia
Redação
Redação

Administrator

Deixa-nos uma mensagem

Deixa-nos uma mensagem
Prova que és humano e escreve RUM no campo acima para enviar.
Tons de Batom
NO AR Tons de Batom A seguir: UMind às 11:40
00:00 / 00:00
aaum aaumtv