Ondas de calor provocaram 123 óbitos em excesso, abaixo das previsões

As duas últimas ondas de calor provocaram 123 óbitos em excesso, um valor abaixo das previsões do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), revelou a diretora-geral da Saúde.
Numa entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, Rita Sá Machado disse que será preciso esperar para perceber qual o impacto da mais recente onda de calor, mas que os dados até 06 de julho apontam para valores inferiores aos inicialmente previstos.
A diretora-geral da Saúde explicou que, desde o dia 10 de junho até agora tivemos duas ondas de calor e que as previsões do INSA apontavam para aproximadamente 60 óbitos em excesso na primeira, o que se confirmou, com um pico a 16 de junho.
Em relação à segunda onda, adiantou que os primeiros dados indicam um excesso de 63 óbitos, à data de 06 de julho.
“Mas é importante clarificar que as ondas de calor têm um impacto que não é a curto prazo e, portanto, ainda temos de aguardar aproximadamente 15 dias para conseguirmos ter uma monitorização e para conseguirmos, de alguma forma, perceber melhor este fenómeno”, sublinhou.
Rita Sá Machado disse ainda que as previsões indicam que o aumento da mortalidade não vai ser muito significativo e citou a plataforma europeia Euromomo, que monitoriza os indicadores do excesso de mortalidade.
Sobre o que terá levado a que Portugal tivesse valores abaixo das previsões, a diretora-geral da Saúde reconheceu que “houve um esforço muito grande” de todos os agentes comunitários, autarquias, agentes de proteção civil, para não só dar recomendações explícitas à população, como para procurar ter respostas locais, como, por exemplo, abrigos.
“Há vários exemplos pelo país. Existem os abrigos temporários e depois uns abrigos que são geridos pela proteção civil e também pelas autoridades de saúde locais para pessoas que já não têm condições para permanecer nas suas casas”, acrescentou.
Rita Sá Machado acrescentou que, tendo em conta os estudos que indicam que as ondas de calor este ano deverão durar até outubro, a Direção Geral da Saúde vai manter as recomendações ativas até essa altura.
LUSA
