O ambiente fala, a UMinho ouve. Conferência Alumni discute efeitos do ecossistema na saúde

Centenas de antigos estudantes da academia minhota juntaram-se na Alameda de São Dâmaso, em Guimarães, para perspetivar o caminho a percorrer com vista a mitigar os efeitos das alterações climáticas.
A pró-reitora Lígia Rodrigues destaca a forte adesão ao evento.

O Dia Mundial do Ambiente, celebrado a 5 de junho, serviu de mote para a edição de 2026 da Conferência Alumni da Universidade do Minho (UMinho), num debate centrado na deterioração do ecossistema e no consequente impacto na saúde pública.

Centenas de antigos estudantes da academia minhota juntaram-se na Alameda de São Dâmaso, em Guimarães, para perspetivar o caminho a percorrer com vista a mitigar os efeitos das alterações climáticas.

O evento ficou marcado por um debate centrado no conceito ‘OneHealth‘, que apela ao equilíbrio entre as pessoas, o ecossistema e a saúde. José Gomes Mendes, presidente da Fundação Mestre Casais e moderador da sessão, Ana João Rodrigues, investigadora na área de Ciências Biomédicas, e Alexandre Quintanilha, docente e investigador nas áreas da Saúde, Ambiente e Física Teórica, foram os intervenientes que subiram ao palco para abordar este tema.

Trata-se de uma temática abrangente que foi abordada por ângulos distintos. A garantia é deixada por Lígia Rodrigues, pró-reitora para as Pessoas, Planeamento e Qualidade, que assinala o papel da Universidade do Minho para entender a complexidade dos problemas ambientais e o seu impacto na comunidade.

“A importância do Ensino é imensa, no sentido em que damos as bases deste conhecimento para que as pessoas possam relacionar e fazer a diferença.”

Lígia Rodrigues

A conferência tocou em “temas muito diversos, desde o envelhecimento à sustentabilidade e à energia”. Segundo Lígia Rodrigues, são tópicos que “a UMinho vai cobrindo em diferentes cursos, quer sejam, ou não, conferentes de grau”.

Lígia Rodrigues faz um rescaldo positivo da Conferência Alumni UMinho

Todos os anos, a Universidade do Minho promove um encontro de antigos estudantes, com o intuito de promover a reflexão sobre temáticas emergentes. Ainda assim, para Lígia Rodrigues, a edição de 2026, tanto pelo tema, como pela adesão, merece destaque. 

Este ano, o evento foi “muito participado”. Contou com 200 participantes, muito graças ao local convidativo e ao tópico abordado. O objetivo, para a pró-reitora, passa envolver o maior número possível de interessados, sejam eles alumni ou não.

Lígia Rodrigues destaca a adesão a este evento
David Alves Braga / RUM

Colher as tempestades de quem semeou a degradação do ecossistema

Na sua história, o ser humano foi encontrando soluções para inúmeros problemas com os quais se deparou. Passadas centenas de anos, tal como avisa Alexandre Quintanilha, investigador nas áreas da Saúde e Ambiente e um dos oradores do debate, chegou a hora de pagar a fatura.

O investigador alerta para a elevada produção de dióxido de carbono, responsável pelas alterações climáticas, além do excesso de consumo de água, que têm empurrado o planeta para a sua degradação.

“O que estamos a perceber hoje em dia é que há limites para esta utilização de recursos naturais, que até agora eram suficientes, porque éramos poucos, e hoje em dia já não. Estamos a perceber que temos que fazer qualquer coisa.”

Alexandre Quintanilha
Alexandre Quintanilha alerta que a humanidade está a “pagar a fatura” dos seus comportamentos

A resposta deverá passar pela prevenção, tal como assinalado durante a discussão. Esta não constitui, contudo, uma prioridade dos decisores políticos.

José Gomes Mendes, moderador do debate, lamenta o facto de o investimento ser feito no curto prazo, numa lógica reativa aos problemas de saúde que nascem por consequência da deterioração dos ecossistemas. Defende, por isso, que a intervenção política deve, antes, ser perspetivada a longo prazo, num reforço da prevenção, nomeadamente com uma aposta no exercício físico.

“O custo verdadeiro da saúde é a falta dela. Nós estamos num processo que poupa na prevenção, que é onde custa menos e que vai custar mais no futuro.

José Gomes Mendes

O antigo secretário de Estado do Ambiente, Mobilidade e Planeamento critica a abordagem de certos sistemas de Saúde, “como é o caso do português”, nos quais são injetados de forma sistemática, sem sinais de melhorias evidentes.

Um sistema político que desvaloriza a prevenção

Já Ana João Rodrigues salientou a necessidade de cada pessoa “fazer o seu papel”. Por um lado, é importante adotar bons hábitos alimentares, de sono e físicos. Por outro, segundo a investigadora, é fundamental tratar do ecossistema, seja pela reciclagem, ou pela redução do consumo de carne e de bens não essenciais.

David Alves Braga / RUM

Após o encontro, os antigos estudantes da Universidade do Minho juntaram-se num jantar para trocar experiências sobre o seu percurso antes, durante e após a vida académica.

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