“Não seria candidato à liderança se não fosse para ser candidato à câmara”

A disputa pela liderança da concelhia do Partido Socialista (PS) de Braga aquece a caminho das eleições do próximo dia 20 de junho. Na resposta direta às acusações de inércia e estagnação deixadas pela lista adversária, o atual presidente e recandidato, Pedro Sousa, recusa o cenário de “marasmo” e devolve as críticas com contundência. Em entrevista ao programa Campus Verbal, o líder socialista defende o seu trajeto na oposição, aponta o dedo a Artur Feio, adversário interno, e assume, sem rodeios, que a reeleição para a estrutura partidária tem um destino inevitável: a corrida à presidência da Câmara Municipal de Braga em 2029.
O “Partido da Vozearia” e o Foco na Solução
A atual direção socialista recusa liminarmente a narrativa de perda de influência e de ausência de oposição ao executivo de João Rodrigues. Recordando que o PS falhou a conquista da autarquia por meros 200 votos nas últimas eleições, Pedro Sousa enquadra o resultado num “quadro atípico” e num “espartilho de novos partidos” que pulverizou o eleitorado. Assumindo que a derrota tangencial “foi algo que doeu muito”, o candidato contrapõe que é impossível apagar o crescimento do PS no território, frisando que a estrutura “aumentou o número de presidências de junta em 40%” e lidera hoje a esmagadora maioria das grandes freguesias.
Avisando que “as pessoas não se medem pelos votos que têm apenas”, o recandidato afasta-se de um modelo de oposição baseado no ruído mediático. Pedro Sousa demarca-se das exigências de maior agressividade feitas pelos críticos internos, garantindo que não cederá a pressões para alterar o seu registo político, optando por um escrutínio “responsável, equilibrado, moderado”.
O Fogo Amigo e o “Legado” da Oposição
As declarações de Pedro Sousa ficam igualmente marcadas por um ataque direto à postura da oposição interna. O atual líder não esconde o desconforto com as críticas públicas recorrentes de Artur Feio. Sublinhando que o ex-vereador se tornou “o batedor na oposição” de 15 em 15 dias nos jornais, o recandidato considera “uma coisa muito esdrúxula e uma coisa muito nova” que um dirigente utilize o “seu espaço público, na maioria das vezes, para bater na oposição” do seu próprio partido.
Subindo o tom, Pedro Sousa recusa assumir o ónus de qualquer vazio político e recorda que Artur Feio liderou a concelhia e a oposição camarária durante quase uma década, acumulando pesadas derrotas autárquicas por diferenças que chegaram aos 20 mil votos. Lembrados estes números, o atual responsável questiona frontalmente a moralidade e o “legado” de quem o acusa.
“Sobre aquilo que é o seu legado de resultados eleitorais e sobre aquilo que é a marca que, de alguma maneira, deixou, nem no partido, nem na cidade, eu lhe reconheço de todo a autoridade para vir com alguma sobranceria de quem é o dono da razão.”
Cultura Partidária e o Caminho até 2029

Para além da refrega com a lista adversária, Pedro Sousa faz questão de isolar as falhas de diálogo interno apontadas por Artur Feio num conceito simples: a diferença na forma de viver as instituições. Para o recandidato, há um “oceano de diferenças” a separá-los, sustentado na “cultura do partido”, no “sentido democrático” e na ausência de compreensão do que apelida de “pathos da vida partidária”.
Clarificando o seu nível de dedicação ao projeto socialista bracarense, Pedro Sousa revelou que abandonará o lugar de deputado na Assembleia da República no início de julho. Considerando o Parlamento “um lugar profundamente depreciado”, assume que estar em São Bento é “incompatível com a atividade parlamentar” e com a construção de uma alternativa para a cidade. Desimpedido das lides nacionais, o líder da concelhia aponta todas as baterias ao município, garantindo, como vincado na declaração de abertura, que a vitória nestas eleições internas tem como horizonte único construir uma candidatura forte à autarquia para 2029.
“Não seria candidato à liderança do Partido Socialista se não fosse para ser candidato à Câmara Municipal”
Pedro Sousa
Rejeitando que a campanha se resuma a ataques pessoais, Pedro Sousa defende a continuidade de uma oposição focada em “contribuir para as soluções, apontando caminhos”. Com a promessa de manter as portas abertas a todos os militantes, e exigindo lealdade institucional no dia seguinte às eleições, o recandidato confia que os resultados práticos no território irão suplantar o divisionismo interno. O veredicto final sobre o modelo de oposição e o rosto que guiará os socialistas até à próxima batalha autárquica fica nas mãos dos militantes, com a ida às urnas agendada para o próximo sábado, dia 20 de junho.
A entrevista de Pedro Sousa ao Campus Verbal está disponível em podcast.
