Marcelo vai sair como entrou, a pé, e deseja que Seguro seja “o melhor” dos presidentes

Interrogado sobre como pensa que os portugueses o vão recordar, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que não tem "a mínima ideia", mas realçou que, quando assumiu o cargo,  ponderou se deveria mudar a sua "maneira de ser", e decidiu que não.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou esta quinta-feira que vai sair de Presidente como entrou no parlamento para tomar posse, a pé, e desejou que o seu sucessor, António José Seguro, seja “o melhor” dos presidentes.

O chefe de Estado falava tendo ao seu lado o primeiro-ministro, Luís Montenegro numa conversa em registo informal com os jornalistas, na residência oficial de São Bento, em Lisboa, depois de ter presidido a uma reunião do Conselho de Ministros, quatro dias antes de cessar funções.

“Desejo ao senhor Presidente António José Seguro, e já o disse duas vezes, as maiores felicidades. Que seja muito feliz. E, se for possível, que consiga ser o melhor de todos os presidentes da República”, declarou.

Marcelo Rebelo de Sousa realçou a votação que o antigo secretário-geral do PS obteve na segunda volta das presidenciais: “Tem um apoio tal e tem uma esperança tal das pessoas atrás dele, que isso implica que seja obrigação de todos os cidadãos – agora, já falo quase como cidadão – desejarmos isso mesmo”. 

O Presidente da República cessante manifestou ainda a expectativa de que o seu sucessor tenha “um bom relacionamento com o Governo e do Governo do senhor Presidente da República”. 

“Acho que era, neste momento do mundo, e neste momento da Europa, neste momento do país, depois da calamidade, acho que era o ideal para todos”, acrescentou.

Interrogado sobre como pensa que os portugueses o vão recordar, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que não tem “a mínima ideia”, mas realçou que, quando assumiu o cargo,  ponderou se deveria mudar a sua “maneira de ser”, e decidiu que não.

Segundo o chefe de Estado, a decisão estava tomada quando subiu a rampa do Palácio de Belém, em 09 de março de 2016.

“Não vou mudar, porque depois não fica nem carne nem peixe. Nem fica aquilo que a pessoa é, nem aquilo que quer ser para vestir um facto institucional e uma maneira de agir e de proceder, mesmo ritualmente, que não é a sua maneira de ser”, justificou.

“Agora, deu bem, deu mal. Umas vezes, porventura, deu melhor. Outras vezes, deu pior”, comentou.

Marcelo Rebelo de Sousa recordou que “tinha chegado a pé” à Assembleia da República, no dia em que tomou posse, e tenciona também “sair a pé, claro”, na próxima segunda-feira, 09 de março, dia da posse de António José Seguro.

“Apesar de, teoricamente, o ex-Presidente da República ter direito a automóvel, mas eu quero sair a pé, vou ter com o meu automóvel”, disse. 

Quanto ao que irá fazer depois, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou que não vai ter qualquer forma de intervenção política e defendeu que “deve-se saber sair de cena” e que “aí não pode haver meio-termo”.

O Presidente admitiu que “talvez seja a coisa mais difícil do mundo, para todos, para os jogadores de futebol, para cantores, para artistas, para interventores políticos, deve ser, talvez, o mais difícil”.

A este propósito, sem nomear ninguém, referiu: “Aprendi quantas vezes eu não agradeceria não ter ex-presidentes da República a intervir na vida política”.

“Portanto, eu agora tenho a obrigação de ter aprendido a lição, e no futuro o que eu posso é desejar ao novo Presidente todas as felicidades, que merece, por aquilo que é, pela vitória que teve e pelo percurso que teve. Mas, precisamente, não empecilhar em relação ao Presidente da República, em relação ao primeiro-ministro, em relação ao Governo, em relação à Assembleia da República, com intervenções”, sustentou.

LUSA

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