Fundação.”A” quer conhecer dados; “B” é totalmente contra e “C” pede referendo

Regime fundacional divide as opiniões dos candidatos no debate promovido pela RUM. Eleições para escolher os representantes dos estudantes no Conselho Geral da Universidade do Minho estão agendadas para 17 de Março.

A continuidade ou não do regime fundacional da Universidade do Minho, foi um dos temas mais discutidos durante o debate que foi emitido pela RUM, esta sexta-feira, e que colocou frente a frente, em formato digital devido ao Estado de Emergência, Rui Oliveira (lista A), Alexandre Carvalho (lista B) e André Teixeira (lista C).

Este é um dossiê que estará em discussão até ao verão, sendo que a Universidade do Minho (UMinho) terá de decidir se permanece ou não uma Universidade Fundação Pública com regime de direito privado.

Trata-se de um modelo de gestão que permite à academia minhota manter-se como universidade pública, mas com possibilidade de recurso ao direito privado, especialmente no que toca à gestão financeira e do património da UMinho, assim como em termos de contratação de recursos humanos e na aquisição de bens e serviços. 


Lista C pede um referendo aberto a toda a comunidade.


André Teixeira, candidato pela lista C, pretende perceber se o regime fundacional trouxe, realmente, mais benefícios que constrangimentos à academia minhota nos últimos cinco anos. “Conseguimos mais dinheiro do que aquele que conseguiríamos se o Estado investisse? Eu acho que não, mas quero ver”, avança.

O estudante de Direito frisa que é preciso saber qual o impacto no número de estudantes que foram auxiliados, ao nível das contratações, entre outros. O desafio lançado ao reitor Rui Vieira de Castro é claro: “coloque os dados cá fora de forma aberta”, pede. O candidato recomenda mesmo um “referendo aberto à comunidade estudantil”.

André Teixeira questionou o candidato da lista A se votaria contra o regime fundacional mesmo contra a reitoria, se essa fosse a vontade dos estudantes. Rui Oliveira, da lista A, garantiu que sim.



Lista A quer conhecer dados para tomar uma posição sobre a matéria.


Para Rui Oliveira, que representa uma lista de continuidade no Conselho Geral, a posição da lista A deve ser baseada em dados concretos. Dados esses que a reitoria irá disponibilizar em sessões abertas durante os meses de abril e maio.

O cabeça de lista pretende fazer um “exercício difícil”, mas que na sua opinião será “o mais correto”, uma comparação “hipotética” entre os resultados que serão apresentados e uma estimativa do que teria sido a realidade da UMinho caso não tivesse optado pelo regime fundacional. Pontos esses ligados, uma vez mais, à facilidade de contratação de recursos humanos, captação de financiamento e autonomia financeira, resposta rápida a problemas urgentes da UMinho, entre outros.


Lista B é totalmente contra continuidade do regime fundacional.


Alexandre Carvalho tem uma posição diferente sobre esta temática em relação aos restantes candidatos a representantes dos alunos no Conselho Geral. A lista B parece não ter dúvidas sobre a posição da reitoria da Universidade do Minho, que segundo o estudante de Filosofia, irá defender a sua continuidade. Contudo, a lista B acredita que este é um regime lesivo para “a vida dos estudantes”.

Como já tem sido seu apanágio, Alexandre Carvalho voltou a defender uma universidade totalmente pública.

Para a lista B, a existência de interesses privados dentro da academia minhota prejudica a contratação e promove uma “monopolização” do ensino superior.

A proximidade ao tecido empresarial é benéfica?

Rui Oliveira defende que a ligação ao tecido empresarial é “benéfica”, no sentido de partilha de experiência, uma vez que as entidades externas podem contribuir para o enriquecimento do percurso estudantil. O candidato da lista A sublinha que não se refere apenas a entidades privadas como públicas dando o exemplo do curso de administração pública que junta a Universidade do Minho a outras instituições de ensino superior e ao próprio estado.

A lista B acusa Rui Oliveira, atual representante dos estudantes, de não contactar com os alumni da Universidade do Minho. Alexandre Carvalho é contra estágios não remunerados e ainda contra serem os alunos a fazerem face às despesas de deslocação durante esse período.

O candidato volta a frisar que vários alunos são responsáveis pela criação de aplicações de forma gratuita para multinacionais e a academia nada faz, na ótica de Alexandre Carvalho, porque são “financiados diretamente” por essas empresas. “Aumenta a precariedade. Não espanta que esta geração só consiga sair da casa dos pais aos 30 anos com posições como a do Rui Oliveira”, conclui.

“Empresas, sim. Independência sempre”, declara André Teixeira. Para a lista C estas parcerias são “importantes”, porém é fundamental que o tecido empresarial não tenha capacidade de “decidir” currículos ou a identidade da universidade. “A universidade deve criar cidadãos não meros trabalhadores numa linha de montagem”, sustenta. 

As eleições para escolher os representantes dos estudantes no Conselho Geral da UMinho decorrem a 17 de Março, quarta-feira, através da plataforma EvotUM.

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Vanessa Batista
Vanessa Batista

Jornalista na RUM

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