Investigadores da UMinho lançam livro sobre morte digital

Ao todo são 14 reflexões assinadas por profissionais de várias áreas sobre como o "espólio digital" de documentos, fotografias, vídeos, memórias pessoais e familiares pode transcender a morte e quais as suas implicações.

O que acontece aos dados partilhados nas redes sociais quando alguém morre? Como se divide uma herança que está guardada no mundo digital? Como lidamos com o luto quando encontramos o perfil de um ente querido nas redes sociais?

Estas são algumas das reflexões compiladas no livro ‘Morte Digital: questões pessoais e patrimoniais’, apresentado esta sexta-feira na Escola de Direito da Universidade do Minho (EDUM).

Ao todo são 14 reflexões assinadas por profissionais de várias áreas sobre como o “espólio digital” de documentos, fotografias, vídeos, memórias pessoais e familiares pode transcender a morte e quais as suas implicações.

A obra de 250 páginas editada pela Gestlegal aborda as implicações jurídicas e científicas neste âmbito ao nível da proteção de dados pessoais e direitos de personalidade, direitos de autor, herança digital e testamento digital, entre outros, ajudando também a identificar aspetos que carecem de regulamentação legal e outros que convocam um debate mais alargado e multidisciplinar.

Segundo Pedro Dias Venâncio, coordenador do livro e docente da EDUM, no caso do Direito, estas são questões que atravessam diversas perspetivas.

Pedro Dias Venâncio explica implicações da “morte digital” no Direito

“Na perspetiva do direito sucessório quem é que herda, na perspetiva patrimonial dos criptoativos que possam existir, na perspetiva do direito de autor. Hoje em dia, há muitos músicos que produzem e publicam digitalmente em plataformas eletrónicas e, portanto, há todo um património de obras produzidas pelo direito de autor que estão em formato digital e estão alojadas online.”

Mas nem só de reflexões sobre o Direito se faz o livro, até porque estas questões também permeiam outras ciências. Da psicologia à teologia, passando pelos testemunhos de um encenador e até de um padre, o livro destina-se ao público em geral.

Investigador enumera outras perspetivas que incluem a ‘morte digital’

“Tivemos um encenador do Teatro Seiva Trupe que participou nos debates e que escreveu uma reflexão sobre o que é que ele entendia que seria a obra dele post mortem. Como é que ele pensava a ideia de os seus herdeiros utilizarem a obra dele, o que é que ele pensava do registro digital das peças que ele encenou, em que medida que isso ainda era obra dele ou já não era obra dele”. 

Investigador diz que obra é acessível a pessoas fora do Direito

“Muito facilmente, uma pessoa que não seja da área do direito encontrará neste livro coisas com a qual se conecta, que compreenda ou na qual se revê porque aquilo que se fala aqui é a realidade atual de todos nós”

Fruto de um projeto homónimo lançado pelos investigadores Pedro Dias Venâncio e Tiago Branco da Costa, no Centro de Investigação em Justiça e Governação (JusGov) da UMinho, o livro é o trabalho de seis workshops, dos últimos três anos, nos quais participaram 14 oradores de Portugal e Espanha, que abordaram a questão sob diferentes perspetivas jurídicas, sociológicas, psicológicas, espirituais e artísticas.

A equipa do projeto foi ainda constituída pelas investigadoras Diana Coutinho, Rossana Martingo Cruz e Sónia Moreira.

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José Brás
José Brás

Jornalista na RUM

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