Investigação liderada pela UMinho explora potencial aromático da indústria vitivinícola do Douro

As leveduras naturais presentes nas vinhas do Douro podem ajudar a produzir vinhos mais complexos e representativos da região. São conclusões de uma investigação liderada pelo Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Escola de Ciências da Universidade do Minho, que analisou 14 estirpes isoladas a partir de uvas das castas Touriga Nacional e Sousão.
O seu estudo foi publicado na revista científica ‘Food Bioscience‘ e insere-se no projeto GrapeMicrobiota, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.
Estão envolvidos os investigadores Richard Breia, Hernâni Gerós, Viviana Martins e Gonçalo Marques (todos do CBMA), em parceria com Catarina Barbosa (ADVID – CoLAB Vines & Wines), Márcio Nóbrega, Ricardo Macedo (Sogevinus Quintas S.A.) e Ricardo López (Universidade de Saragoça, Espanha).
Este trabalho avaliou características relevantes para a produção de vinho, como a capacidade de criar aromas diferenciados e a tolerância às condições de stresse aquando da fermentação.
Ora, as conclusões apontam que, quando são utilizadas leveduras autóctones, esta tolerância pode ser maior. Abre-se, assim, segundo Richard Breia, caminho para criar vinhos mais complexos e aromáticos, associados a uma identidade própria da região do Douro.
“Então conseguiremos acrescentar valor, associando a um determinado vinho um perfil aromático distinto.”
Richard Breia, do Centro de Biologia Molecular e Ambiental
A investigação surge como consequência da abordagem da maioria dos produtores de vinho. Para garantir fermentações previsíveis e consistentes, de modo a produzir em escala, torna-se habitual recorrer a leveduras comerciais.
“O mundo dos vinhos está a perder um bocadinho a sua alma, por assim dizer.”
Richard Breia quer caminhar noutra direção. Aponta, por isso, para o objetivo de dar “regionalidade ao vinho”.
