Festival Extremo regressa à Falperra para derrubar fronteiras entre Braga e Guimarães

O Festival Extremo pretende aproximar Braga e Guimarães através da cultura. Durante 20 horas, o Monte da Falperra é a casa da segunda edição da iniciativa que regressa no próximo dia 18 de julho, num investimento que custará 79 mil euros aos cofres bracarenses, pela empresa municipal Faz Cultura.
O protocolo de colaboração entre as duas autarquias foi assinado esta segunda-feira no Hotel da Falperra. O evento, que nasceu no âmbito da Braga 2025 – Capital Portuguesa da Cultura, assume-se agora como um dos legados dessa programação. Quem o garante é Nuno Gouveia, administrador executivo da Faz Cultura, ao sublinhar que a iniciativa representa o “espírito de colaboração entre os dois municípios”, o qual considera estar cada vez “mais forte”.

O Extremo propõe um percurso de um dia que dilui os limites territoriais através da arte e da música exploratória, valorizando a paisagem cultural e o património edificado da região.
Trata-se de um exemplo claro de ambição e de união que valoriza o presente e faz uma ponte entre comunidade, território e gerações, destaca a vereadora com o pelouro da Cultura do Município de Guimarães, Isabel Ferreira.
A autarca vimaranense acrescenta que o Extremo é muito mais do que uma mera sucessão de concertos, sendo o “próprio território que lhe dá sentido, a paisagem que o inspira, o património e a memória coletiva” que dão sentido e profundidade a este projeto singular onde se cruzam os dois concelhos.

“O Extremo não é apenas um festival de música, é um projeto cultural que compreende a cultura na sua expressão mais ampla”, sublinha.
Já do lado bracarense, a vereadora responsável pela pasta da Cultura, Catarina Miranda, aponta que o festival joga com a ideia de “limite” e desconstrução da própria linha que separa os dois territórios, funcionando quase como um “grau zero” onde a fronteira deixa de existir para dar lugar a algo comum e a uma forte ligação à natureza.
Em termos de programação, das seis da manhã à madrugada do dia seguinte, o público é convidado a uma viagem sonora contínua pelo património natural e edificado da Falperra, cruzando música exploratória, eletrónica e performances.

Do nascer até depois do pôr-do-sol
Samuel Silva, da organização, explica que o roteiro começa com uma característica inusitada: uma performance de abertura logo às 6h00 na zona do Sameiro, com a artista Calcutá, seguindo depois em percurso até à Falperra, que continuará a ser o epicentro do festival.
A manhã contará ainda com um concerto acústico a solo de Valentina Magaletti no meio do percurso, uma performance itinerante de Pedro Augusto, a atuação de Molero e duas horas dedicadas a uma sessão de experimentação com o coletivo bracarense Estudo do Meio.
A partir do final da tarde, o foco do festival muda-se para o ex-líbris da zona, a Capela de Santa Maria Madalena, onde haverá concertos de Shane Parish e Joana de Sá. Ali, a organização propõe também um momento que considera o ponto alto do programa: uma pausa na música durante o pôr do sol, convidando as pessoas a sentarem-se no escadório para contemplar a natureza.
Depois disso, o festival entra no seu registo convencional com os concertos noturnos de Debit, do cabeça de cartaz Alessandro Cortini a solo, e de Helviofox a fechar a noite num “contexto mais dançável”, como sublinha Samuel Silva, da organização.
Com curadoria da Capivara Azul, o Festival Extremo tem data marcada para 18 de julho, inclui ainda atividades paralelas como uma caminhada, instalações e várias oficinas, mantendo a premissa de que o acesso a todos os espaços é totalmente gratuito.
