Inteligência Artificial ajuda investigadores da UMinho a criar alimentos personalizados

A inteligência artificial pode vir a transformar a forma como os alimentos são desenvolvidos. É esse o objetivo do ‘IngredientIA’, um projeto coordenado pela OmniumAI, spin-off da Universidade do Minho criada a partir do Centro de Engenharia Biológica (CEB), que combina inteligência artificial, modelação computacional e sistemas de simulação digestiva para compreender como os ingredientes alimentares interagem com a microbiota intestinal.
A investigação pretende acelerar o desenvolvimento de alimentos mais saudáveis e adaptados às necessidades de cada pessoa, de modo a contribuir para a prevenção de doenças metabólicas, para a melhoria da saúde gastrointestinal e para uma indústria alimentar mais sustentável.
Em entrevista à RUM, Miguel Rocha, Investigador do Centro de Engenharia Biológica explica que a OmniumAI já trabalhava no desenvolvimento de soluções de inteligência artificial aplicadas à nutrição e à indústria alimentar, tendo agora alargado essa investigação ao estudo da microbiota intestinal.
“Queremos perceber como é que a alimentação pode modelar as bactérias que estão nos nossos intestinos e que estão relacionadas com a saúde. E também o contrário: como é que a constituição dos nossos microbiomas intestinais pode afetar a digestão dos alimentos.”
Para responder a estas questões a equipa combina investigação laboratorial com modelos de aprendizagem automática. A inteligência artificial é treinada com dados produzidos pelo próprio projeto e com informação científica já existente, o que permite prever o comportamento dos alimentos durante a digestão e reduzir o número de ensaios necessários.
Segundo o investigador, este é um processo de aprendizagem contínua, em que a inteligência artificial e o trabalho experimental evoluem em conjunto.
“A inteligência artificial serve para reduzir o tempo que vamos para o laboratório e o laboratório serve para criar novos dados para melhorar os modelos de previsão que estamos a usar.”
Com esta abordagem, a equipa espera acelerar a transferência de conhecimento para a indústria alimentar, que tornará mais eficiente o desenvolvimento de novos produtos.
*escrito por Eduarda Sequeira e editado por Ariana Azevedo
