Guimarães celebra Abril, Constituição Portuguesa e Eduardo Ribeiro com programa que se estende até junho

Guimarães volta a celebrar Abril e os valores da Liberdade até ao mês de junho com concertos, exposições, sessões de cinema, artes plásticas e debates. Este ano, o programa ‘Abril com Cantigas do Maio’ evoca, também, os 50 anos da Constituição Portuguesa e das primeiras eleições autárquicas, assim como o centenário do nascimento de Eduardo Ribeiro, figura maior da resistência democrática vimaranense.
Um programa com tripla dimensão cujo objetivo é recordar e impelir os cidadãos a renovar e a afirmar “no espaço público, aquilo que são os valores de Abril, da liberdade, da inclusão, da partilha e da fraternidade” e que se estende a todo o concelho, gratuitamente.
Esse é, pelo menos, o desejo de Isabel Ferreira, vereadora da Cultura na Câmara Municipal de Guimarães, e das já habituais associações vimaranenses envolvidas na organização da iniciativa, presente no Convívio Associação Cultural e Recreativa, esta terça-feira, para a apresentação do projeto.
Relembrando a força da cultura local e do associativismo na renovação do compromisso com os ideais da liberdade e na construção dos espaços para a reflexão, a autarca lançou o mote da edição com a apresentação do concerto comunitário ‘Sons de Liberdade’.
A cargo da Banda da Sociedade Musical de Pevidém e do Coro da Liberdade, o momento junta, a 24 de abril, cerca de 100 vimaranenses no Centro Cultural Vila Flor para dar forma, através de áudio, imagens e texto, ao encontro entre a canção de intervenção e o fado.
De acordo com o maestro Vasco Silva de Faria, esta é a “essência” do espetáculo que, pela primeira vez, mistura no palco coristas amadores e profissionais, bem como artistas e grupos conhecidos do público como Gil do Carmo, Vozes da Rádio e Hot Air Balloon.
Este é também o propósito do Centro Infantil e Cultural Popular (CIPC) que, este ano, ergue o mural ’50 Anos da Constituição e do Poder Autárquico’ no Largo do Toural.
A obra coletiva que conta com a contribuição de 16 artistas está aberta, igualmente, às interpretações dos vimaranenses que desejem usar o espaço para “dar asas à criatividade, à reflexão e à expressão livre”.
Na noite de 24 de abril, os vimaranenses são convidados, ainda, a “desabafar, a declamar, a teatralizar, aquilo que quiser e que lhe apetece”, apontou Torcato Ribeiro, presidente do CICP.
O Cineclube de Guimarães é, mais um ano, o responsável pelas sessões de sétima arte no programa. Dedicado à temática ‘Os Dez de Hollywood’, o ciclo relembra os realizadores norte-americanos censurados pelo senador Joseph McCarthy.
O Convívio, através de concertos de Jazz e a uma sessão do ciclo ‘ExcentriCidades’ e o Círculo de Arte e Recreio, que promove o 25 de Abril através da sua fanzine, estiveram igualmente representados na apresentação.
Já a Sociedade Martins Sarmento acolhe, entre 21 de abril e 10 de maio, a exposição ‘As constituições portuguesas’, que percorre os vários documentos constitucionais portugueses desde 1822, ano em que foi publicada a primeira Constituição, e o debate ‘A Constituição de 1976 – um projeto de futuro?’ em 23 de maio, com moderação de Alberto Martins, antigo ministro da Justiça, e intervenções de Manuel Alegre, poeta e deputado constituinte, de José João Abrantes, presidente do Tribunal Constitucional, e Rui Vieira de Castro, anterior reitor da Universidade do Minho.
A celebração do centenário do nascimento do vimaranense que se opôs ao Estado Novo, Eduardo Ribeiro, realiza-se a 18 de junho, com a exibição de “Daqui houve resistência”, com banda sonora ao vivo de Manuel d’Oliveira.
O programa completo pode ser consultado aqui.
