EUA e Irão alcançam acordo de paz. Assinatura marcada para sexta-feira

Após meses de tensão no Médio Oriente e intensas negociações diplomáticas, Washington e Teerão chegaram a um entendimento que prolonga o cessar-fogo em vigor e prevê o levantamento de sanções petrolíferas. A cerimónia oficial, agendada para 19 de junho na Suíça, promete reabrir o Estreito de Ormuz ao comércio mundial.
O Anúncio e a Reabertura do Estreito de Ormuz
O fim das hostilidades entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irão foi inicialmente revelado pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, através da rede social X. O acordo, que contou com a mediação conjunta do Catar, Arábia Saudita e Turquia, estipula o “fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes”.
Donald Trump confirmou o fecho das negociações na sua rede social, Truth Social, anunciando o levantamento imediato do bloqueio no Estreito de Ormuz, uma passagem crucial por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.

Embora os canais oficiais iranianos tenham mantido algum recato inicial, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, validou os dados avançados pelo Paquistão. Gharibabadi explicou que o desfecho bem-sucedido dependeu de duas condições essenciais impostas por Teerão: o fim do conflito armado, incluindo no Líbano, e o levantamento do bloqueio naval dos EUA.
No que toca à sensível questão nuclear, o compromisso estabelece que o Irão prescinde de desenvolver armas nucleares, mantendo, no entanto, o seu programa de enriquecimento de urânio. Em contrapartida, os Estados Unidos comprometem-se a levantar as pesadas sanções aplicadas ao petróleo iraniano, permitindo o regresso do país aos mercados internacionais.
Simbolismo, Tensões com Israel e os Próximos Passos
O calendário do anúncio não foi deixado ao acaso. Segundo a imprensa norte-americana, a diplomacia iraniana terá forçado o arrastamento da divulgação oficial para garantir que esta não coincidisse com o 80.º aniversário de Donald Trump, assinalado este domingo, dia 14 de junho.
O clima de apaziguamento sofreu, no entanto, um revés de última hora com um bombardeamento israelita sobre Beirute, no Líbano, durante o fim de semana. O ataque gerou confusão e foi prontamente condenado por Donald Trump, que assegurou ter transmitido o seu desagrado ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
O vice-presidente norte-americano, JD Vance, encontra-se agora a ultimar os preparativos para a cerimónia de sexta-feira, na Suíça, assegurando que as bases técnicas e logísticas estarão prontas para a assinatura final do tratado de paz.
c/Lusa
