Educadores de infância e professores do 1º ciclo em greve

Os educadores de infância e os professores do 1.º ciclo do ensino básico paralisam as escolas portuguesas esta segunda-feira. Exigem equidade profissional e a revisão do calendário escolar. A paralisação, que junta os esforços sindicais da FENPROF, do STOP. e do SPLIU em parceria com o Movimento de Professores em Monodocência (MPM), denuncia as condições de desgaste extremo destes profissionais e promete impactar diretamente o funcionamento das escolas públicas de norte a sul do país, afetando as rotinas de milhares de famílias.
O principal foco de contestação desta greve nacional é a exigência de equidade e melhoria nas condições de carreira para os profissionais sujeitos ao regime de monodocência. Nesta modalidade, típica do Pré-Escolar e do 1.º Ciclo, um único docente assume de forma contínua toda a responsabilidade pedagógica e relacional de uma turma.
Os sindicatos alertam que as exigências sobre estes professores têm vindo a aumentar significativamente sem qualquer compensação ou reconhecimento. Os docentes queixam-se de sobrecarga física e emocional, e exigem medidas concretas, como um regime específico de aposentação aos 36 anos de serviço, devido ao desgaste prolongado no exercício das suas funções.
Um dos grandes motivos de indignação prende-se com a calendarização letiva. As atividades para o Pré-Escolar e o 1.º Ciclo terminam cerca de duas semanas depois dos restantes níveis de ensino (cujas aulas encerram a 12 de junho). Os profissionais consideram que esta extensão letiva não beneficia as aprendizagens e funciona apenas como depósito ou “guarda de crianças”.
Frentes de Protesto: Ministério da Educação e Presidência da República
Esta paralisação marca um alinhamento estratégico de várias frentes sindicais. O S.TO.P. apelou à adesão após aprovação unânime num plenário nacional. Por seu lado, a FENPROF agendou uma “Tribuna Pública pela Equidade na Monodocência” às 10h00 da manhã, em frente ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação.
Simultaneamente, o SPLIU e o MPM organizam uma concentração no Palácio de Belém, onde serão recebidos pelo Presidente da República, António José Seguro, numa audiência agendada para as 11h30. Todas as estruturas sindicais garantem que esta paralisação abrange todo o serviço letivo e não letivo, não havendo sequer lugar à definição de serviços mínimos por falta de base legal aplicável a este contexto.
