Coindu dá início a despedimento coletivo de 48 trabalhadores

Em maio, a empresa anunciou que iria implementar um 'lay-off' de seis meses, de maio a novembro de 2026, que poderia abranger 493 trabalhadores.

A Coindu, que produz componentes interiores para automóveis, deu início a um processo de despedimento coletivo de 48 trabalhadores, do setor do couro, adiantou a empresa, num comunicado.

O grupo, com sede em Vila Nova de Famalicão, conta atualmente com 743 colaboradores, tendo informado que “deu início a um processo de despedimento coletivo que abrangerá 48 colaboradores do setor do couro”.

A empresa referiu que o “mercado automóvel está a optar por novas configurações e materiais, como se evidencia nos modelos que serão lançados em 2027, onde o uso do couro será significativamente reduzido”.

Ainda que exista “a possibilidade de revitalização do setor”, indicou, essa renovação “não vai abranger o couro, devido à especificidade dos processos envolvidos”.

Por isso, defendeu a Coindu, “é necessário adaptar e reorganizar o modelo produtivo para acompanhar estas mudanças”.

A empresa referiu ainda que “esta medida, que afetará 48 colaboradores do setor do couro, foi comunicada esta terça-feira [hoje] às equipas, no contexto do diálogo aberto e transparente que a administração tem vindo a manter com a organização, colaboradores e demais ‘stakeholders’ ao longo de todo o processo de reestruturação a que a empresa tem sido sujeita”.

O grupo lembrou que os trabalhadores deste setor “já tinham sido alertados para esta possibilidade aquando da implementação do processo de ‘lay-off’, em maio”.

A Coindu lembrou que, nessa ocasião, “foi ressalvado que, com a conclusão dos projetos em curso, a empresa não dispunha, nem tinha perspetivados, projetos que permitissem assegurar a ocupação funcional da totalidade dos colaboradores a curto, médio ou longo prazo”. Foi assim, desde então, “sinalizado o risco de eliminação dos respetivos postos de trabalho”.

Segundo a empresa, “as projeções de volume de trabalho para o próximo ano apontam para a necessidade de uma força de trabalho composta por uma média de aproximadamente 700 colaboradores”.

O grupo assegurou que “procurou salvaguardar e manter o maior número de postos de trabalho possível, com vista a minimizar os efeitos deste processo na sua força de trabalho”, pretendendo ainda “reter o conhecimento e o ‘know-how’ específico da atividade do setor”.

A Coindu lembrou ainda o “contexto altamente desafiante para a indústria automóvel à escala europeia”, tendo em conta a imposição de tarifas alfandegárias pelos EUA, bem como o contexto geopolítico no Médio Oriente e a volatilidade dos preços dos combustíveis.

Além disso, destacou, “a concorrência de novas marcas oriundas do continente asiático, com custos de produção mais baixos, tem vindo a conquistar quotas relevantes de mercado”.

Em maio, a empresa anunciou que iria implementar um ‘lay-off’ de seis meses, de maio a novembro de 2026, que poderia abranger 493 trabalhadores.

A queda das encomendas no setor já tinha levado a empresa a avançar com dois despedimentos coletivos no ano passado.

LUSA

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Carolina Damas
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