Arte como Remédio. UMinho adere a consórcio pioneiro para prescrever cultura no Norte

Iniciativa inovadora vai permitir que profissionais de saúde "receitem" atividades artísticas e culturais como terapia complementar para utentes com ansiedade, depressão ligeira e pré-burnout.

A Universidade do Minho (UMinho) formalizou a sua integração no Consórcio de Prescrição Cultural na Região Norte. O acordo, selado a 2 de junho na Reitoria da Universidade do Porto (UPorto) durante o 3.º Encontro Nacional de Prescrição Cultural, marca o arranque de uma abordagem diferenciadora à saúde mental, permitindo que a arte passe a figurar na resposta clínica da região.

Liderado pela UPorto e financiado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), este consórcio insere-se diretamente na “Estratégia Nacional para a Saúde, Cultura e Outros Contextos” delineada pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Inspirada em modelos de sucesso já testados no Norte da Europa, a iniciativa pretende criar mecanismos práticos para combater o desgaste mental. O objetivo central passa por reforçar o papel preventivo e terapêutico da cultura na promoção do bem-estar, elevando a qualidade de vida da população e ajudando a garantir a sustentabilidade do próprio sistema de saúde.

A vasta rede de parceiros comprova a ambição do projeto. Para além da UMinho, UPorto e CCDR-N, o consórcio integra também a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a DGS, a Ordem dos Médicos e um conjunto de seis museus. O momento da assinatura do protocolo contou com a participação de Pedro Arezes (reitor da UMinho), António de Sousa Pereira (reitor da UPorto) e Rui Costa (vice-presidente da CCDR-N), que destacaram o forte compromisso de articulação entre a academia, o setor da saúde e o território cultural.


Projeto-Piloto na UMinho: 10 Semanas de Criatividade

Com a oficialização da adesão, a academia minhota avança de forma imediata para a estruturação do seu próprio projeto-piloto. A coordenação da iniciativa no seio da academia minhota ficará a cargo da Escola de Psicologia, operando numa lógica vincada de colaboração interdisciplinar.

A UMinho vai capitalizar o conhecimento e as experiências já desenvolvidas nas suas Escolas de Psicologia, Medicina, Enfermagem e Letras, Artes e Ciências Humanas. Esta base científica será interligada com uma oferta interna e diversificada de oficinas artísticas, abrangendo áreas como a música, o teatro, a literatura e as artes visuais.

Na prática, os pacientes referenciados receberão uma “prescrição” para participar num programa imersivo de dez semanas. As sessões de grupo focar-se-ão em atividades criativas e serão sempre orientadas por artistas e mediadores culturais qualificados, decorrendo em articulação com os equipamentos culturais da região, como museus, para garantir um acompanhamento terapêutico integrado e fora do ambiente hospitalar tradicional.

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Ariana Azevedo
Ariana Azevedo

Jornalista na RUM

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