Ministro da Educação assegura que nenhum aluno sairá prejudicado devido a problemas na correção dos exames

Fernando Alexandre esteve no Parlamento para uma audição na comissão de Educação e Ciência, onde deu mais explicações sobre as falhas nos exames. Garantiu que nenhum aluno será prejudicado.

O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, garante que nenhum aluno será prejudicado pelo atraso na correção dos exames nacionais, consequência dos problemas técnicos no recém implementado sistema informático.

O governante esteve a ser ouvido, durante toda a manhã desta quarta-feira, numa audição regimental totalmente dominada pelo tema.

Desde o primeiro dia, esta primeira fase da época de exames tem se demonstrado repleta de problemas. Além dos atrasos na disponibilização das credenciais necessárias para aceder às provas, noticiados nos últimos dias, os professores dizem que foram convocados para aquela tarefa docentes reformados, de outras disciplinas e até que já tinham falecido. Relatam também folhas de resposta atribuídas ao mesmo aluno com caligrafias distintas ou exames com páginas em falta e respostas incompletas.

Com o prazo para a divulgação das notas a aproximar-se rapidamente, estas questões podem colocar em causa as candidaturas dos estudantes ao ensino superior que, de acordo com o calendário pré-estabelecido, arrancam a 20 de julho.

Em permanente contacto com o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), o ministro assumiu que não existem razões para preocupação, pelo menos para já, uma vez que o instituto garantiu ter todo o processo assegurado dentro dos prazos.

“Aquilo que o EduQA me disse foi que o calendário se mantém. Nós colocámos a hipótese, se fosse necessário, porque nós temos os exames em papel, de se fazer a correção em papel e o EduQA reiterou que está confiante que vai conseguir garantir a correção digital. Nós não temos razões, para já, para pôr em causa essa avaliação”.

Assim, o governante garante que “o rigor da avaliação e a transparência” serão mantidos e não há hipótese de haver “um aluno prejudicado” por questões de problema de software ou de impressão das provas.

Numa audição em que grandes parte das culpas pelos processos incompletos na educação foram atribuídas ao anterior governo socialista, Fernando Alexandre admite que digitalização podia ter sido introduzida de forma mais gradual, não fosse o prazo apertado do compromisso que o Partido Socialista assinou com o PRR.

“O que nós herdámos do Partido Socialista foi um projeto em que nós teríamos os exames realizados digitalmente. Considerámos que não fazia sentido e renegociámos com o PRR, porque havia uma verba para isto, (1:00) que a meta fosse termos uma correção digital”.

O governante admite que, de outra forma, o melhor teria sido integrar o sistema e remodelar o formato gradualmente.

“Fizemos um ensaio ano passado, este ano fazíamos com 3 ou 4 provas, só que há uma meta assinada com o PRR.

Segundo o ministro, a digitalização das provas foi cumprida por colaboradores do MECI, “a maioria professores” e repetiu o que já dissera esta semana, que os visitou nas instalações em Sintra onde o processo está a decorrer: “Eram oito da noite e estavam todos muito bem dispostos.” 

Garantiu ainda que há “total transparência no processo” e lembrou que os alunos, se assim quiserem, poderão requerer a consulta e a reapreciação das provas.

Caso o cronograma estabelecido pelo EduQA seja cumprido, as notas da 1.ª fase devem ser conhecidas a 14 de julho. O início das candidaturas para o Concurso Nacional de Acesso está marcado para o dia 20 de julho.

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José Silva Brás
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Jornalista na RUM

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