UMinho recebe conferência sobre Filosofia Política com a filósofa “mais influente do mundo”

Mais de 200 investigadores de 30 países de todo o mundo chegam à Universidade do Minho (UMinho) para participar na 16.ª edição da Braga Meetings on Ethics and Political Philosophy, uma iniciativa que procura invocar a Filosofia no debate sobre a estrutura social e as suas disparidades. Destaque para a presença de Sally Haslanger, eleita pelo portal Academic Influence como a filósofa viva mais influente do mundo.
Este ano, a conferência conta com três oradores de destaque internacional para debater temas como a misoginia, o racismo e a disparidade de classe, destacando como estes tipos de discriminação não caminham sozinhos.
São eles Sally Haslanger, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, perita em género, feminismo e justiça social; Robin Celikates, da Universidade Livre de Berlim que estuda a forma como os Estados perpetuam o racismo; e Chiara Cordelli, da Universidade de Chicago, convidada para abordar o impacto do capitalismo nas divisões sociais.
A organização está a cabo do Centro de Ética, Política e Sociedade (CEPS) da UMinho, cujo diretor, Giuseppe Ballacci, destaca precisamente a presença de convidados “de topo” para a promoção de debates com diferentes ângulos da Filosofia Política e Moral.
Assim, torna-se possível “dar um panorama geral da investigação” na área.
Sally Haslanger foi a primeira investigadora a protagonizar uma palestra, centrando-se na forma como diferentes tipos de discriminação não são exercidos sozinhos. Mais que isso, na sociedade desigual e complexa em que estamos inseridos, estes cruzam-se e alimentando-se mutuamente
Por esse motivo, é preciso mudar mentalidades, especialmente a um nível macro. Em entrevista à RUM, a filósofa destaca a importância destas iniciativas para alertar para a necessidade de mudar a estrutura fundamental da sociedade.
Sally Haslanger não rejeita que o preconceito tenha um impacto significativo, mas alerta antes para a necessidade alterar leis, melhorar condições económicas das minorias e tornar as normas sociais mais inclusivas.

Outro dos convidados foi Robin Celikates, da Universidade Livre de Berlim que estuda a forma como os Estados perpetuam o racismo. Ao longo da sua carreira profissional, concluiu que a Filosofia não só tem um papel crucial para compreender estes fenómenos sociais, como para encontrar soluções para os mesmos.
A conferência contempla três palestras plenárias e 23 painéis, num total de 180 intervenções sobre temas como justiça social, alimentação, democracia, identidade, ética animal, inteligência artificial, ambiente e conflitos contemporâneos.
O evento arrancou esta segunda-feira, dia 29 de junho, e estende-se até 1 de julho.
