Braga suspende trotinetes partilhadas e dá 60 dias para limpeza das ruas

O presidente da autarquia, João Rodrigues, referiu que as trotinetes trazem hoje “mais um problema do que uma vantagem na vida em comunidade".
Declarações proferidas à margem da Reunião de Câmara.

A Câmara Municipal de Braga aprovou esta segunda-feira, por maioria, a suspensão imediata do serviço de trotinetes partilhadas no concelho, dando um prazo de 60 dias para a remoção integral de todos os equipamentos das ruas. A decisão de travar a circulação destes veículos surge após um aumento exponencial do número de trotinetes em circulação e de mais de 40 acidentes registados só este ano.

O presidente da autarquia, João Rodrigues, que no passado assumiu a responsabilidade e assinou os protocolos para a introdução destes dispositivos no espaço público, garantiu que a proibição se tornou inevitável. Para o edil, as trotinetes trazem hoje “mais um problema do que uma vantagem na vida em comunidade”.

Apontou ainda que, perante os números oficiais da Polícia de Segurança Pública, o município teve de ter “a coragem de fazer aquilo que manifestamente tem de ser feito”.

O autarca explicou ainda que o problema se agravou de forma muito visível recentemente, com o número de viagens a duplicar consecutivamente de ano para ano. João Rodrigues revela que passaram de 32 mil em 2023, para 63 mil em 2024 e para mais de 144 mil no ano passado.

Sublinhou ainda que este é o seu primeiro verão enquanto presidente da Câmara e que, sendo esta a época alta deste tipo de mobilidade, a resposta tinha de ser imediata.

A resolução destes acordos, sublinhou, não trará qualquer custo financeiro para os cofres do município, mas o fim da atividade não será necessariamente definitivo. A autarquia pretende agora avançar com ações de sensibilização para os usuários de trotinetes e com o estudo de modelos de benchmarking para perceber de que forma o serviço poderá funcionar de forma segura no futuro, sem descartar também uma fiscalização mais assertiva sobre as trotinetes de uso pessoal.


Oposição critica falta de fiscalização e fala em “incompetência”

Apesar de viabilizar a proibição, a medida colheu duras críticas por parte das forças da oposição. Apesar de ser contra a medida, o movimento ‘Amar e Servir Braga’ (ASB) optou pela abstenção, criticando a falta de dados estatísticos mais robustos para justificar a medida. Ricardo Silva, porta-voz do ASB, considerou a justificação uma “espécie de mea-culpa do presidente”.

“Isto é um ato de assumir a não responsabilidade de fazer a monitorização daquilo que é um processo que devia merecer o constante acompanhamento por parte dos serviços municipais. Isto é um ato de incompetência”, acusou o vereador, lembrando que a gestão do mesmo partido político já leva oito anos no concelho.

Para o vereador, é preciso uma estratégia “de macroescala” para a mobilidade no concelho, ago que na sua visão não acontece.


Por sua vez, a Iniciativa Liberal (IL) votou a favor da suspensão, mas não poupou críticas à gestão camarária. O vereador Rui Rocha considera “caricato” que a autarquia se declare “incapaz de fiscalizar e garantir o cumprimento das regras” de um serviço que a própria Câmara licenciou.

“Quem é a entidade que tinha a obrigação de regulamentar, vigiar, exigir cumprimento? A Câmara Municipal de Braga”, apontou, reforçando que não se pode colocar “a segurança dos bracarenses em causa”, justificou o apoio a medida apresentada por João Rodrigues.


PS pede novo regulamento e Chega saúda o fim da “praga”

Do lado do Partido Socialista (PS), o voto foi favorável por se reconhecer que era preciso dar um “passo atrás” face ao perigo diário que se vive nas ruas. A vereadora socialista Martinha Rocha, em substituição de Pedro Sousa, apontou o “incumprimento da parte das empresas” e a ausência de fiscalização nos locais de circulação, que resulta em situações muito perigosas para os mais novos.

A socialista defendeu que este recuo serve para “suspender, pensar em condições” e exigiu a criação de um grupo de trabalho alargado para desenhar um novo regulamento de circulação para o futuro.


Por fim, o Chega votou a favor e aplaudiu a medida. O vereador Filipe Aguiar sublinhou que Braga será, “a partir de agora, uma cidade muito mais segura” e lembrou que o fim do que chamou de “praga” das trotinetes partilhadas era uma bandeira que o partido já defendia desde a campanha eleitoral.

Para o partido, o fim dos equipamentos sem o mínimo de controlo em plena área pedonal segue o exemplo de grandes cidades europeias que já aboliram as trotinetes definitivamente.

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Marcelo Hermsdorf
Marcelo Hermsdorf

Jornalista na RUM

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Carolina Damas
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