“Enquanto Pedro Sousa for presidente, o PS não ganha em Braga”

Artur Feio avança para a liderança da concelhia do PS Braga com duras críticas à atual direção. Em entrevista ao Campus Verbal, o candidato acusa Pedro Sousa de inércia, alertando para um cenário de "absoluto marasmo" na oposição municipal
Artur Feio considera que o "absoluto marasmo" no PS Braga permitiu à direita governar à vontade

As eleições internas do Partido Socialista (PS) de Braga, marcadas para o próximo sábado, 20 de junho, prometem não ser apenas uma disputa de lugares, mas sim um embate sobre o futuro e a identidade da oposição na cidade. Artur Feio, antigo vereador e ex-líder da concelhia entre 2016 e 2022, decidiu voltar a assumir a linha da frente com uma “candidatura coletiva” que visa resgatar o partido de um alegado abandono das suas bases. Em entrevista ao programa Campus Verbal, o candidato não poupou nas palavras para traçar o retrato de uma estrutura partidária estagnada, apontando responsabilidades diretas à atual liderança de Pedro Sousa.


O Abandono das Bases e a Acumulação de Cargos

A decisão de regressar à corrida pela liderança da concelhia não partiu de um ímpeto isolado. Artur Feio assegura ter sido motivado por “uma larga maioria dos presidentes de junta” a dar uma resposta rápida ao que classifica como “um desmazelo e um quase abandono dos autarcas”. Para o antigo vereador, o partido desligou-se do território, falhando sucessivamente a presença em momentos cruciais nas várias freguesias do concelho.

A justificação para esta letargia encontra-se, na ótica do candidato, na “multiplicidade de funções” assumidas pelo atual presidente da concelhia. Apontando que a liderança exige “transpiração”, Artur Feio considera que as várias responsabilidades de Pedro Sousa retiram o foco essencial do trabalho partidário local, algo de que os próprios eleitos já se ressentem.

“Não se consegue falar com o presidente da concelhia”

A Paralisia Interna e o Silêncio no Executivo

Para Artur Feio, a inércia de que o partido padece é também gravemente visível dentro de portas. O candidato denuncia um “esvaziamento” total do debate político, lamentando a incapacidade da estrutura para discutir os problemas da cidade com os seus próprios militantes. O antigo líder concelhio não hesita em responsabilizar a atual direção por fechar o partido sobre si mesmo, revelando falhas estatutárias na convocação das reuniões de análise e discussão.

“A verdade é que os órgãos do partido não reúnem. A Comissão Política não reúne há sete meses e o próprio Secretariado Político não reúne há cinco meses. Nós fomos incapazes e deixámos de conseguir debater política e cidade e o Partido Socialista vive este esvaziamento.”

Paralisia interna: Artur Feio denuncia que órgãos do PS não reúnem há meses

A consequência mais grave deste distanciamento e falta de debate sente-se, de forma direta, na oposição feita à coligação Juntos por Braga. O candidato nota que a “ausência de oposição” por parte do partido “mais estruturado” da cidade tem permitido a João Rodrigues governar tranquilamente no executivo municipal.

De forma pragmática, o ex-vereador constata ainda que o espaço mediático e de escrutínio que deveria pertencer ao PS foi absorvido por outras forças políticas. Feio admite abertamente que “o principal ator da oposição é um movimento político independente”, referindo-se ao Amar e Servir Braga, liderado por Ricardo Silva, sublinhando que o PS falhou de forma reiterada em apresentar alternativas próprias e audíveis nas reuniões de câmara.


Confiança para a Reconquista

Rita Almeida / RUM

Rejeitando que a sua candidatura seja um mero “ajuste de contas” com o passado autárquico, Artur Feio foca-se na urgência de qualificar de imediato a Comissão Política, estancar o desgaste nas freguesias e recuperar o eleitorado perdido. Lembrando que em 2025 o PS recuou nas urnas mesmo concorrendo coligado, o candidato é taxativo ao afirmar que a atual liderança não tem condições para mobilizar o partido e a cidade. Seguro do seu trajeto e da vitória interna, deixa um aviso claro e assume-se como o único rosto capaz de devolver a esperança aos socialistas bracarenses.

“Enquanto o Pedro Sousa for presidente da concelhia, o PS não conseguirá ganhar as eleições em Braga. Em sentido contrário, eu transmito essa confiança.”

Artur Feio
Artur Feio assume-se como o único rosto capaz de devolver a confiança ao eleitorado

Mais do que vencer as eleições internas de 20 de junho, Artur Feio traça como prioridade absoluta a reabertura do Partido Socialista à sociedade civil. O antigo vereador quer derrubar as “paredes da sede” e atrair novos protagonistas e simpatizantes que possam vir a representar os socialistas no futuro. No plano institucional, a promessa imediata passa por criar uma verdadeira rede de suporte aos atuais vereadores e eleitos na Assembleia Municipal, garantindo que não combatem sozinhos. Com a ambição de transformar a concelhia num autêntico motor de ideias para Braga, o candidato sublinha que o PS tem de voltar a assumir a sua vocação de poder, atuando como o partido “charneira” do escrutínio e assumindo-se, desde já, como a verdadeira alternativa de governação na cidade.

A entrevista de Artur Feio ao Campus Verbal está disponível em podcast.



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Ariana Azevedo
Ariana Azevedo

Jornalista na RUM

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