E se a participação cultural dos alunos da UMinho fosse academicamente valorizada?

A ideia está em cima da mesa, carece de estudo, discussão e contributos, mas a nova presidente do Conselho Cultural da UMinho, Manuela Ivone Cunha dá os primeiros sinais de uma estratégia a médio prazo para reativar este órgão da instituição.
Declarações de Manuela Ivone Cunha

A nova presidente do Conselho Cultural da Universidade do Minho, Manuela Ivone Cunha quer criar mecanismos de valorização académica da participação cultural dos estudantes. A proposta, ainda em estudo, passa por reconhecer a presença em espetáculos, museus, cineclubes ou concertos, incentivando hábitos regulares de fruição cultural no seio da academia.

Esta terça-feira, em entrevista ao programa Campus Verbal, da Rádio Universitária do Minho, Manuela Ivone Cunha explicou que a ideia faz parte de uma estratégia mais ampla de reposicionamento da cultura como dimensão “estruturante da vida universitária e não como um simples complemento extracurricular”.

“A cultura não é um adereço, não é um adorno”, afirmou a responsável, sublinhando que a atual reitoria pretende colocar a cultura “com o mesmo nível de dignidade” do ensino e da investigação dentro da instituição.

Como sinal dessa mudança de paradigma, a presidente do Conselho Cultural destacou também a alteração feita no próprio site oficial da Universidade do Minho. “Se forem ao site da Universidade do Minho, reparam que a cultura passou a estar com o mesmo nível de dignidade e em paridade com as outras dimensões e missões da Universidade”, referiu. Até aqui, explicou, a cultura surgia integrada num separador associado à “vida e bem-estar”. “A cultura aparecia lá no meio, escondida”, apontou.

Segundo Manuela Ivone Cunha, o Conselho Cultural está a estudar formas de criar um percurso de participação cultural que possa ser reconhecido no trajeto académico dos estudantes. A lógica poderá, eventualmente, funcionar através de um sistema de pontos associado à presença em iniciativas culturais promovidas pela universidade e por entidades parceiras.

“A ideia é que haja um percurso pontuado, em que se vai ganhando pontos ao longo do ano de participação cultural”, explicou. “Cada vez que um estudante vai a uma sessão do cineclube, visita um espaço museológico ou vai a um concerto, vai pontuando,” exemplifica.

“Não sabemos ainda os pormenores, mas tem de haver um incentivo”, frisou.

Propostas culturais uma vez por mês à hora de almoço no interior da UMinho é outra das ideias

Para a presidente do Conselho Cultural, o objetivo vai além da participação ocasional em eventos, o foco está na criação de hábitos culturais duradouros entre os estudantes.

“O que se pretende é que haja um caminho mais continuado”, declara, defendendo que o contacto frequente com diferentes expressões artísticas e patrimoniais é parte fundamental da formação universitária.

A responsável considera também que a realidade dos estudantes mudou significativamente nos últimos anos, obrigando a repensar a forma como a cultura chega à comunidade académica.

“Muitos estudantes chegam às cinco da tarde e têm de correr para apanhar o autocarro”, observou, referindo dificuldades de alojamento e novas rotinas que limitam a permanência nas cidades universitárias. Nesse sentido, o Conselho Cultural pretende desenvolver programação mais integrada nas rotinas do campus, com atividades regulares e previsíveis.

“Gostava que houvesse na universidade sempre algo a acontecer”, apontando, por exemplo, para iniciativas culturais à hora de almoço, uma vez por mês.

Outra das ideias em desenvolvimento passa pela criação de um modelo inspirado no “corredor cultural”, do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), permitindo acesso gratuito ou com preços reduzidos a equipamentos culturais da região, em articulação com municípios e instituições parceiras.

Além da promoção do acesso, Manuela Ivone Cunha acredita que a cultura pode também funcionar como resposta ao isolamento crescente entre os estudantes.

“Uma das respostas que mais me surpreendeu foi a falta de companhia”, admitindo, apontando para um inquérito sobre os motivos que afastam as pessoas da programação cultural. “O que se quer promover também aqui é convivialidade.”

Nos primeiros meses de mandato, a presidente do Conselho Cultural tem realizado visitas e reuniões com estruturas culturais da universidade, programadores, museus, bibliotecas e entidades culturais de Braga, Guimarães e Famalicão, num trabalho de auscultação e levantamento de dinâmicas existentes.

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Elsa Moura
Elsa Moura

Diretora de Informação

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