Investigadores da UMinho e do IPCB descobrem nova espécie de fungo em medronheiros portugueses

A descoberta foi publicada na revista científica ‘International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology’.
Palavras de Nelson Lima.

Uma equipa de investigadores da Micoteca da Universidade do Minho (UMinho), em Braga, em parceria com a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), identificou uma nova espécie de fungo isolada em medronheiros.

O microrganismo, batizado de Banningia arbuti, foi descoberto durante uma investigação a bagas de medronheiro – uma árvore típica da bacia do Mediterrâneo e comum no sul de Portugal, utilizada tradicionalmente na produção de aguardente. A descoberta foi publicada na revista científica International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology’.

Em declarações à RUM, o diretor da Micoteca, Nelson Lima, apontou que este microrganismo se revelou completamente diferente de tudo o que era conhecido cientificamente até agora. Essa distinção deve-se a características moleculares e ao seu código genético único, além de “questões geográficas e do próprio ambiente” de isolamento.

O investigador explicou que a descoberta resultou do trabalho de Joana Domingues, aluna de doutoramento de Castelo Branco, que recorreu ao laboratório da UMinho para obter apoio na sua pesquisa de caracterização e descrição de isolados. Entre as amostras recolhidas no seu estudo, este fungo específico “apareceu fora do comum”, vindo a confirmar-se como uma nova espécie.

Para o docente, esta descoberta é importante por “ao ser descrita e descoberta, e preservada na micoteca, fica já salvaguardado”, sendo uma oportunidade de conhecer melhor a biodiversidade fúngica, uma área do conhecimento que classificou como ainda “muito incipiente”.

Segundo o docente, são descritas anualmente entre “900 e 1000 novas espécies de fungos no mundo”, um ritmo considerado reduzido para um reino que a comunidade científica aceita ter cerca de 5 milhões de microrganismos.


O diretor alertou ainda para o facto de que grande parte desta biodiversidade corre atualmente o risco de extinção, tornando este achado fundamental. O estudo é assinado pelos cientistas João Trovão, Nelson Lima, Joana Domingues, Célia Soares, Carla Santos e Cristina Pintado.

Quanto aos impactos práticos no setor das bebidas espirituosas, Nelson Lima descansou os produtores e consumidores, assegurando que o consumo de aguardente de medronho não corre qualquer risco, uma vez que a bebida “resulta de uma fermentação e depois de um destilado” e por isso, “o fungo não cria problemas”. Além disso, o investigador referiu que não existem indícios de que o fungo seja patogénico ou cause problemas ao medronheiro.

O próximo passo da investigação passará por compreender o papel exato desta nova espécie na natureza e a sua relação com a árvore hospedeira, estudos esses que assumem maior complexidade, segundo o responsável, e que dependem do isolamento prévio do organismo.

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Marcelo Hermsdorf
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Jornalista na RUM

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