“Refundação da Ciência e Inovação”. AI2 arranca com promessa de desburocratização e foco na economia real

O novo Conselho de Administração da Agência para a Investigação e Inovação tomou posse esta segunda-feira, com uma promessa clara do novo presidente, João Barros: desburocratizar o setor e criar uma agência que seja uma verdadeira aliada dos investigadores. Com um novo orçamento plurianual de cinco anos garantido pelo Governo, o objetivo para este novo ciclo passa por aproximar definitivamente o conhecimento científico do tecido empresarial e potenciar o crescimento da economia real do país.
As declarações de João Barros, Fernando Alexandre e Castro Almeida no arranque oficial da Agência para a Investigação e Inovação:

O novo Conselho de Administração da Agência para a Investigação e Inovação (AI2) tomou posse esta segunda-feira, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. A nova entidade funde as missões de ciência e inovação sob o mesmo teto, com a promessa de combater a burocracia, garantir estabilidade orçamental a cinco anos aos investigadores e aproximar definitivamente o conhecimento científico do tecido empresarial e do crescimento económico do país.


Menos burocracia e uma agência “aliada” dos investigadores

O arranque oficial da AI2 ficou marcado por discursos focados na necessidade de reformar e agilizar o sistema científico português. João Barros, que assume a presidência do novo Conselho de Administração, não evitou apontar baterias ao peso do sistema atual, traçando um “caderno de encargos” claro sobre o que as instituições de investigação e as empresas devem exigir da nova agência.

“Os investigadores esperam respeito pela liberdade académica, respeito pelo seu tempo, um plano plurianual com estratégia e estabilidade financeira, concursos com datas previsíveis para submissão e decisão, processos e formulários simples, atendimento célere e competente, avaliação independente com critérios transparentes e internacionais, decisões justas e atempadas, pagamento a tempo e horas, uma agência autónoma que se sentem como uma aliada.”

“Uma agência autónoma como uma aliada”

Para o novo líder da agência, o impacto da investigação não se esgota nas universidades ou nos laboratórios. João Barros deixou um forte apelo à união de todos os quadrantes da sociedade, desde cientistas e empresários à administração pública, lembrando que a ciência tem de servir as exigências gerais do país.

“Os portugueses esperam que todos nós, cientistas, inovadores, empresários e administração pública, unamos os nossos esforços para remover os obstáculos que minam o seu bem-estar e a sua felicidade.”

A responsabilidade social da ciência na resolução dos problemas do país e na melhoria da qualidade de vida dos portugueses

Estabilidade orçamental e a meta dos 3% do PIB

Do lado do Governo, a mensagem foi de confiança na nova estrutura e de reforço da autonomia. O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, destacou a criação de um modelo de financiamento que rompe com o passado, assegurando a previsibilidade que o setor reclama há décadas.

“Considerámos prioritário garantir a estabilidade e previsibilidade orçamental e instituímos com o Decreto-Lei 132-2025, que cria a AI2, um orçamento plurianual por um período de 5 anos. A instituição de um orçamento plurianual para a investigação e inovação não traz apenas estabilidade e previsibilidade. O orçamento plurianual traz um novo paradigma para a organização do nosso sistema de investigação e inovação.”

Fernando Alexandre garante que o novo orçamento plurianual a cinco anos protegerá os investigadores da incerteza

O governante aproveitou ainda a cerimónia para reiterar o compromisso do Executivo em atingir a fasquia dos 3% do PIB em investimento na área da Investigação e Desenvolvimento (I&D) até ao final da década, justificando que esse esforço financeiro terá de resultar na melhoria efetiva da economia e numa relação mais estreita com a sociedade.

“Estamos comprometidos com o cumprimento do objetivo de 3% do PIB de investimento em investigação e desenvolvimento até o final desta década. Mas para alcançarmos esse objetivo, temos de demonstrar à sociedade portuguesa que não há investimento mais importante do que o investimento em educação, ciência e inovação. A forma de o fazermos é gerarmos mais e melhor ciência, com mais impacto social e económico. Para conseguirmos mais impacto, precisamos de uma ligação mais intensa entre a comunidade científica, a sociedade e a economia.”

O compromisso do Governo com o aumento do investimento em I&D, com a condição de gerar um maior impacto social e económico

Ciência e Economia: Uma relação de “soma positiva”

A encerrar a sessão, Castro Almeida sublinhou que a tomada de posse do primeiro conselho de administração da AI2 não é um mero ato administrativo, mas sim a “refundação da política pública de ciência e inovação em Portugal”. O ministro da Economia e Coesão Territorial foi taxativo ao afirmar que o laboratório e a economia real não podem andar de costas voltadas.

“Essa relação assenta numa lógica de soma positiva entre ciência e economia. Quando a ciência se articula mais profundamente com a economia, gera mais inovação, mais valor e mais riqueza. E quando a economia cresce, se qualifica e se torna mais competitiva, cria-se maior capacidade para reinvestir na ciência, na investigação fundamental e na formação avançada.”

O ministro da Economia sublinha a simbiose necessária entre a produção de conhecimento e o crescimento económico de Portugal

A equipa liderada por João Barros conta ainda com as vice-presidentes Teresa Pinto Correia (com o pelouro da Investigação) e Maria Moura Oliveira (Inovação), e com os vogais executivos António Bob Santos e Luís Sarmento.

A cerimónia de tomada de posse do Conselho de Administração da AI2 está disponível na página oficial do Facebook do Ministério da Educação, Ciência e Inovação.

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Ariana Azevedo
Ariana Azevedo

Jornalista na RUM

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