Embalagens inteligentes. A inovação com selo da UMinho que muda de cor para proteger os alimentos

Investigadores da Universidade do Minho estão a desenvolver sensores óticos sustentáveis para criar embalagens que alertam os consumidores, em tempo real, sobre o estado de conservação dos produtos. Liderado pela cientista Daniela Correia, o projeto recorre a polímeros naturais e promete revolucionar a segurança na indústria alimentar, o combate ao desperdício e até, eventualmente, outras áreas como a da agricultura.
A era em que o consumidor olhava para uma embalagem de plástico e apenas confiava na data de validade impressa pode estar a chegar ao fim. No Centro de Química, uma equipa multidisciplinar está a dotar os materiais de “inteligência”. Na prática, os investigadores procuram que as embalagens deixem de ter um papel meramente passivo de acondicionamento e passem a dar uma resposta ativa e visual perante alterações do meio ambiente.
“O consumidor terá aqui um indicador visual. Se o seu alimento não estiver armazenado nas condições ótimas, teremos um sensor impregnado na superfície da embalagem que irá mudar de cor.”
Estes sensores são desenhados para reagir a variações muito específicas de temperatura, humidade ou até mesmo a impactos mecânicos sofridos durante o transporte, garantindo que o produto não sofreu danos invisíveis a olho nu.
Sustentabilidade e o Caminho até 2028
O projeto, que arrancou em julho de 2025, tem a sustentabilidade como pilar central. Em vez de recorrer a plásticos tradicionais com forte pegada ecológica, a equipa utiliza polímeros de base natural, como a celulose, o polímero mais abundante na natureza. O objetivo é aplicar os princípios da química verde em laboratório, evitando solventes tóxicos e criando soluções verdadeiramente amigas do ambiente.
“Nós queremos também após a implementação dos sensores estudar a sua reutilização. Não haver logo o descarte, mas podermos reutilizar este tipo de dispositivos.”
Para garantir que a investigação salta das bancadas do laboratório para as prateleiras dos supermercados, foi criado um consórcio que junta a Universidade do Minho, o IPCA (responsável pela modelação computacional) e o CeNTI. Este último parceiro terá a missão crucial de garantir a escalabilidade do processo através de tecnologias de impressão, com a meta traçada para julho de 2028.
Da Biomedicina à Agricultura 4.0
A versatilidade dos nanomateriais e polímeros ativos desenvolvidos no Minho permite que a sua aplicação vá muito além da conservação de alimentos ou da indústria farmacêutica. Daniela Correia, cujo percurso passou também pela engenharia de tecidos e regeneração óssea, sublinha que basta alterar o princípio ativo do material para alargar a sua utilidade.
O combate à contrafação, através de tintas lidas por telemóvel, e a monitorização de solos são algumas das frentes em aberto.
“Recentemente nós temos um estudo em que demonstramos que é possível medir em campo a humidade do solo através de um material que tem esta capacidade de resposta ótica.”
Até à meta de 2028, a equipa continuará a afinar a compatibilidade e escalabilidade destes sensores. O objetivo final é claro: entregar soluções reais e ecológicas que substituam a dependência da indústria face ao plástico tradicional.
A entrevista de Daniela Correia ao UMinho I&D está disponível em podcast.



