Testemunha assume ser sua a faca que matou amigo junto ao Bar Académico de Braga

O amigo que acompanhava o jovem morto junto ao Bar Académico da Universidade do Minho, em Braga, assumiu esta quarta-feira ser sua a faca do crime, mas que a entregou à vítima antes de se deslocarem para o local.
Na segunda sessão do julgamento do homicídio cometido na madrugada de 12 de abril de 2025, que decorre no Tribunal de Braga, a testemunha contou que levou de sua casa uma faca a pedido do amigo, por este ter “receio” de que algo de mal lhe acontecesse, uma vez que estaria a receber ameaças de alguém que também iria marcar presença na mesma festa no estabelecimento de diversão noturna.
Na versão esta quarta-feira apresentada, que difere de testemunhos já anteriormente prestados, ainda na fase de inquérito, o jovem, de 19 anos, disse que antes de rumarem ao bar, ele, a vítima e mais amigos encontraram-se num centro comercial da cidade e que aí entregou ao amigo a faca de cozinha, com cerca de 10 centímetros e com um cabo branco de plástico.
Já no interior do Bar Académico, onde chegaram pelas 00h00, a testemunha contou ter visto a vítima a confrontar um grupo que estaria a “minar (drogar)” o copo da bebida de uma amiga, acrescentando que, nessa sequência, interveio um segurança, o qual decidiu expulsar o amigo, após terem também discutido.
O jovem, que seguiu o amigo para o exterior do espaço de diversão noturna, cerca das 03h30, explicou que ambos ficaram à espera da boleia de um outro colega, mas que como este nunca mais chegava, a vítima decidiu chamar a PSP por se sentir injustiçado por ter sido expulso do bar, quando alertava para o facto de estarem a tentar colocar droga na bebida de uma amiga.
A polícia dirigiu-se ao local e abandonou o espaço pouco tempo depois, permanecendo ambos no exterior do bar, “à conversa”.
A testemunha relatou ao tribunal que, cerca das 05h30, viu o arguido e outros cinco amigos deste a saírem do bar e, nesse momento, o amigo “confrontou-os e abordou o grupo por terem feito aquilo”, em alusão ao facto de, alegadamente, colocarem droga na bebida da amiga.
Ato contínuo, contou, “começaram a atirar pedras e garrafas” contra ele e o amigo, acrescentando que o arguido, que se encontrava uns metros à frente do restante grupo que o acompanhava, “tinha na mão uma garrafa partida”.
O jovem referiu que, de um momento para o outro, no meio daquela “confusão e pânico”, quando se tentava defender, o amigo “desapareceu”, deixando-o de o ver. Pouco depois, disse, ele voltou e vinha “com a faca na mão”, acreditando que a vítima tenha ido “buscar a faca onde a havia escondido”, antes de entrar no bar.
“Está de novo ao meu lado com a faca. Tentei tirar-lhe a faca. Nesse momento sou atingido por alguma coisa, não sei se por uma pedra ou por uma garrafa, desmaio e perco os sentidos”, detalhou a testemunha.
O jovem assumiu ao coletivo de juízes não se lembrar de mais nada e que “acordou”, recuperou os sentidos, na casa do amigo e um outro amigo, a cerca de um quilómetro do bar.
Afirmou que ainda regressou ao local, onde já não estava o amigo, referindo que só soube da sua morte quando já estava no hospital a receber tratamento aos ferimentos na cabeça.
O julgamento prossegue pelas 09h30 de 18 de fevereiro com a continuação do depoimento desta testemunha. Segundo a acusação do MP, os factos começaram às 01:18, num dos espaços interiores do Bar Académico da Universidade do Minho, quando a vítima confrontou um dos elementos que integravam o grupo do arguido, por ter tido a perceção de que um deles teria adulterado a bebida de uma jovem cliente do estabelecimento.
Posteriormente, já na via pública, em frente ao bar, “iniciou-se uma contenda, com confrontos físicos”. “Nesse contexto, o arguido, na posse de uma faca e empunhando e brandindo a mesma, avançou de encontro ao ofendido, que estava desarmado e, uma vez junto deste, desferiu-lhe três golpes, atingindo-o mortalmente”, acrescenta a acusação.
O MP requereu a aplicação ao arguido, de nacionalidade brasileira, da pena acessória de expulsão de Portugal.
LUSA
