FNE alerta para falta de professores em 12 dos 29 grupos de recrutamento após concurso

A Federação Nacional da Educação (FNE) alertou hoje para a falta de professores em 12 dos 29 grupos de recrutamento que não conseguiram preencher todas as vagas no novo concurso externo extraordinário.
As listas definitivas foram publicadas na segunda-feira e confirmam a colocação de 1.639 professores para as 1.800 vagas em quadros de zona pedagógica a concurso.
Em reação aos resultados do concurso externo extraordinário, o segundo no ano letivo 2025/2026, a FNE alertou hoje que 12 dos 29 grupos de recrutamento não conseguiram preencher todas as vagas disponíveis.
Um dos casos apontados pela federação sindical refere-se ao grupo 920, de educação especial para alunos com surdez e problemas de comunicação, linguagem ou fala, em que nenhuma das quatro vagas ficou ocupada.
Outros grupos de recrutamento ficaram com mais de duas dezenas de lugares por ocupar. É o caso de Informática de 3.º ciclo e secundário, sem professores para 30 das 180 vagas.
Segundo a FNE, também Português e Inglês do 2.º ciclo e Francês do 3.º ciclo e secundário ficaram com 25 vagas por preencher, que representam 29% e 53%, respetivamente, do total de lugares disponíveis.
Perante os dados, os representantes dos professores sublinham que a falta de professores continua a ser um “desafio significativo”, apesar das medidas do Governo para responder ao problema.
“A FNE tem vindo a alertar que esta situação não pode ser enfrentada apenas com medidas temporárias ou flexibilizações que comprometam a qualidade da profissão, defendendo antes políticas estruturantes e negociações que valorizem o estatuto, a formação e o recrutamento dos docentes”, escreve a federação, em comunicado.
Em concreto, a FNE defende a valorização da carreira, melhores condições de trabalho, uma progressão profissional clara, e políticas educativas que combatam a precariedade.
“É urgente garantir condições de trabalho adequadas às exigências atuais, respeitando os docentes, reforçando a qualidade do ensino público e devolvendo atratividade à profissão”, acrescentam.
Na segunda-feira, o Ministério da Educação, Ciência e Inovação assegurou que as 161 vagas que ficaram por preencher “não traduzem situações de alunos sem aulas, uma vez que são vagas de QZP [Quadros de Zona Pedagógica] e não de horários em escolas”.
A maioria das vagas – 1.220 – foi preenchida nos QZP dos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, “a região do país com maior incidência de situações de alunos sem aulas”.
LUSA
