Mais de 20 mortos em descarrilamento de dois comboios de alta velocidade em Espanha

A circulação entre Andaluzia e Madrid está suspensa. Um dos comboios tinha 300 pessoas.

A Guarda Civil confirmou, pelas 00h00 locais de segunda-feira, a ocorrência de 21 mortos no descarrilamento dos dois comboios, na província de Córdova. Número que pode ainda subir, já que um número indeterminado de passageiros ficou preso nos carris.

O descarrilamento das duas composições ocorreu pelas 19h45 locais, no município de Adamuz (Córdova), segundo fontes da Guarda Civil.


A agência noticiosa espanhola, EFE, referiu que o comboio LD AV Iryo 6189 descarrilou na entrada da via 1 em Adamuz 10 minutos depois de deixar Córdova a caminho de Atocha, em Madrid. Invadiu a via adjacente, colindindo com os vagões sete e oito de outro comboio, LD AV 2384, que seguia em sentido contrário e que também descarrilou. O serviço de comboios de alta velocidade entre Madrid e a Andaluzia foi suspenso e todos os comboios em trânsito foram redirecionados para os seus pontos de origem.

Antonio Sanz, ministro da Presidência do Governo Regional da Andaluzia, revelou à imprensa em Adamuz, pelas 00h00 locais, que “um dos comboios caiu quatro metros para um barranco”.
“Estamos a ajustar a nossa resposta e os nossos recursos de acordo com as necessidades. O nosso foco principal é prestar assistência às vítimas”, acrescentou.

Um dos falecidos é um maquinista, avançou o El País.

Duas horas depois do acidente, os serviços de socorro da Andaluzia  confirmavam 25 casos graves, entre uma centena de feridos. Foram transferidos para o Hospital Rainha Sofia, de Córdova e para o hospital de Andújar, em Jaén.

A família real espanhola expressou uma “grande inquietação”, “na sequência deste grave acidente” e apresentou as “mais sinceras condolências às famílias e entes queridos das vítimas”.

Mobilização de auxílio

Os feridos ligeiros têm estado a ser levados para o centro desportivo de Adamuz, referiu à EFE fonte da Guarda Civil.Os passageiros que saíram ilesos foram transportados em autocarros fretados pela autarquia de Adamuz para alojamentos próximos.

O trânsito foi proibido nas ruas e estradas em torno do local do acidente, para facilitar a circulação de veículos de socorro.

O Governo Regional da Andaluzia mobilizou uma unidade de saúde com mais de vinte equipas de emergência e instalou um posto médico avançado no edifício da rede Adif, em Adamuz, onde tem estado a ser realizada a triagem dos feridos, dados os primeiros socorros e estabilizados os afetados antes da sua transferência para os hospitais.

Meio milhar de residentes de aldeias próximas têm estado a levar cobertores e  mantimentos essenciais para os afetados, entregando-os no posto avançado.

No X, a Cruz Vermelha andaluza anunciou o envio de meios de auxílio, incluindo psicológicos.

“Uma ambulância totalmente equipada está a chegar de Córdova e mais duas de Jaén. Também enviaremos mantimentos essenciais para os passageiros dos dois comboios e de outros comboios que estejam parados. As equipas de apoio psicossocial também estão de prontidão”, referiu a organização.

Famílias dos passageiros estão a tentar obter notícias dos seus familiares, mas a identificação das vítimas não tem sido a prioridade.

O comboio Iryo levava a bordo 300 passageiros. Não foram avançadas imediatamente razões para o descarrilamento incial.

O serviço de comboios de alta velocidade entre Madrid e a Andaluzia foi suspenso e todos os comboios em trânsito foram redirecionados para os seus pontos de origem.

Cenário “horrível”

O jornal El País refere que o presidente da Câmara de Adamuz, Rafael Moreno (PSOE), foi o primeiro a chegar ao local do acidente, acompanhado pela polícia local.

“Vi um passageiro mutilado ao ponto de ficar irreconhecível. Fomos os primeiros a chegar e havia um corpo cortado ao meio. Mas não havia luz; era de noite. O cenário é horrível”, disse o autarca.

“Os autarcas e os moradores da zona estão concentrados em ajudar os passageiros. Estão a chegar autocarros para os levar para o abrigo municipal que foi montado”, disse, visivelmente abalado.

Depois do socorro organizado, Moreno acabou por se dirigir ao centro de triagem, tendo falado com o ministro dos Transportes e recebido a chamada da família real.

Segundo a rede Adif, as equipas de emergência e os bombeiros foram enviados para o local do acidente, onde confirmaram a presença de feridos.

“Nos meus pensamentos”

O ministro dos Transportes de Espanha, Óscar Puente, dirigiu-se ao centro de emergência 24 horas da Renfe, na estação de Atocha, em Madrid, para acompanhar a situação. 

O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, publicou na sua conta de Twitter para garantir que o Governo “está a trabalhar com as outras autoridades competentes e serviços de emergência para prestar assistência aos passageiros”. Confirmou depois o adiamento da reunião das segundas-feiras com o líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, como este pediu.

A presidente da Comissão Europeia enviou uma mensagem aos familiares das vítimas mortais e dos feridos: “Estão nos meus pensamentos esta noite”.

“Recebi a terrível notícia de Córdoba”, publicou a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Facebook. “Os meus mais profundos sentimentos às famílias e aos entes queridos das vítimas do acidente ferroviário e ao povo espanhol. Desejo uma rápida e completa recuperação aos feridos. Estão nos meus pensamentos esta noite.”

c/ agências

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