Vitória SC. Rui Rodrigues apela ao futuro após eleição contestada por Viriato Sampaio

Dois dias após um ato eleitoral histórico e impróprio para cardíacos, a poeira das eleições no Vitória Sport Clube ainda não assentou completamente.
Rui Rodrigues, eleito presidente por uma margem mínima de dois votos (2.028 contra 2.026), recusa divisões e foca-se na preparação da nova época, enquanto Viriato Sampaio não baixa os braços. A oposição levanta sérias dúvidas sobre a contagem dos votos por correspondência e ameaça remeter o caso para o Conselho de Jurisdição.
O fim de semana foi de alta tensão no Pavilhão Unidade Vimaranense. Num universo de mais de 6.600 votantes, a sucessão de António Miguel Cardoso acabou decidida pela margem mais curta da história do clube: uns escassos dois votos de diferença entre o vencedor e o segundo classificado.
Confrontado com um clube visivelmente dividido nas urnas, o novo presidente opta por valorizar a afluência maciça e a vitalidade democrática do emblema de Guimarães.
“Um dos momentos mais históricos do Vitória SC, sem dúvida nenhuma. Quatro listas e a ser uma uma jornada muito taco a taco. Quatro listas com quatro grandes vitorianos. Com dois votos se ganha, com dois votos se perde.”
Rui Rodrigues, presidente eleito do Vitória SC
Sem alimentar as polémicas da noite eleitoral, Rui Rodrigues assegura que o tempo de campanha chegou ao fim. Com dossiers urgentes em cima da mesa, nomeadamente a preparação da nova temporada e as decisões que envolvem o treinador Gil Lameiras, o antigo vice-presidente financeiro garante que o seu único foco é a liderança desportiva e estrutural do clube da cidade berço.
a Ameaça de Nulidade

Se para a lista vencedora as eleições terminaram no sábado, para a oposição o jogo entrou na compensação. A recusa inicial da Mesa da Assembleia Geral, presidida por João Henrique Faria, em proceder a uma recontagem imediata dos boletins gerou indignação, mas é o voto por correspondência o principal alvo de contestação da Lista C.
Este domingo, em conferência de imprensa, a candidatura de Viriato Sampaio fez saber que contabilizou apenas 33 boletins chegados por via postal, apesar de ter indicações de que dezenas de associados teriam manifestado a intenção de votar à distância.
“Caso se demonstre que, pelo menos, dois sócios do Vitória manifestaram interesse em votar por correspondência e que o clube não procedeu ao envio dos respectivos boletins de voto, que o Vitória não levantou pelo menos dois boletins de voto enviados por sócios, que pelo menos dois boletins de voto cheguem até amanhã, restará ao Conselho de Jurisdição declarar a nulidade do ato eleitoral e, em consequência, determinar a sua repetição, atento à violação de formalidades essenciais suscetíveis de influenciar o resultado da eleição.”
Viriato Sampaio, candidato às eleições no emblema vitoriano
Neste momento, a Lista C exige que a direção do Vitória SC preste esclarecimentos formais sobre quatro pontos essenciais: o número exato de sócios que solicitaram o voto por correspondência, o total de boletins enviados, o número de votos recebidos até ao início do ato eleitoral e a respetiva hora do último levantamento nos CTT.
Caso se comprovem falhas no processo de envio ou de recolha dos boletins, a candidatura de Viriato Sampaio confirmou que irá remeter o caso para o Conselho de Jurisdição. Este é o órgão competente do clube para avaliar um eventual pedido de nulidade e ditar a consequente repetição do ato eleitoral.
Apesar do processo de contestação anunciado pela oposição, o calendário institucional do clube segue os trâmites normais pós-eleições. Para já, a tomada de posse de Rui Rodrigues e dos restantes órgãos sociais eleitos para o triénio 2026-2029 mantém-se agendada para a próxima sexta-feira, dia 19 de junho.
