UMinho lança grupo de trabalho para definir orientações de utilização de IA

Um conselho para definir um plano orientador para a utilização de Inteligência Artificial (IA) na Universidade do Minho (UMinho), a criação de um Observatório de Ciência Aberta e o lançamento de um mecanismo anual de participação da comunidade na definição de prioridades de investimento no orçamento da universidade são algumas das novidades reveladas hoje pelo reitor, Pedro Arezes, no âmbito das comemorações dos 52 anos da instituição.
No discurso proferido na sessão solene, que decorreu ao longo da manhã no Salão Medieval da Reitoria, no Largo do Paço, o novo reitor da UMinho revelou algumas medidas já em andamento nestes dois meses e meio de trabalho da nova equipa reitoral.
Referindo que “a IA não pode ser ignorada”, Pedro Arezes explica que a mesma “deve ser enquadrada com rigor ético, pedagógico e científico”.
O reitor da instituição de ensino superior minhota fez questão de iniciar o seu discurso com uma mensagem de agradecimento a todos aqueles que ajudam a construir a universidade todos os dias, nas suas mais variadas vertentes.
“Cada aniversário não é apenas um momento de celebração. É também um momento de responsabilidade e de reconhecimento. Por isso, permitam-me que inicie esta minha intervenção com um agradecimento muito claro e sentido. À comunidade académica da Universidade do Minho, pelo ano de excelência que soubemos construir em conjunto.”
Depois fez também questão de particularizar os estudantes, assumindo que em cerimónias desta natureza nem sempre são devidamente reconhecidos. “Falamos de estruturas, de projetos, de financiamento e de indicadores. Mas a verdade é simples: a Universidade existe porque existem estudantes,“acrescentou.
A abertura da Universidade do Minho à sociedade e às empresas é um processo contínuo que só pode merecer um reforço da mensagem. Aqui o reitor da UMinho foi igualmente claro:
“Estamos abertos às solicitações das instituições públicas, das empresas e da sociedade civil. Queremos ser procurados, interpelados e desafiados. Queremos contribuir para políticas públicas mais informadas, para decisões empresariais mais sustentadas, para debates sociais mais exigentes e qualificados”.
“A UMINHO não reivindica privilégios, reivindica coerência sistémica”
Pacote legislativo de emergência, mecanismos de neutralidade orçamental e quadro de previsibilidade plurianual: os pedidos ao ministro Fernando Alexandre.
A segunda parte da mensagem foi dirigida ao ministro da Educação, Ciência e Inovação que marcou presença na cerimónia.
Apontando que “o sistema universitário atravessa uma fase de erosão orçamental progressiva e de crescente incerteza jurídica”, Pedro Arezes alinhou com o pensamento dos restantes reitores portugueses sobre uma matéria concreta:
“As universidades são chamadas a suportar, com receitas próprias, opções de política pública nas quais não participaram e que deveriam ser integralmente financiadas pelo Estado”, o que resulta no adiamento de investimentos estratégicos e na redução de capacidade de planeamento a médio prazo.
Admitindo que em causa não está a justiça da atualização remuneratória, o reitor da academia minhota vincou que “sem reforço adequado das dotações, há uma diminuição efetiva da liquidez disponível, agravada pela inflação, pelo crescimento da massa salarial e pelo carácter temporário de algumas fontes extraordinárias de financiamento, designadamente as associadas ao PRR”.
Pedro Arezes afirma que “a Universidade do Minho não reivindica privilégios”, mas antes “coerência sistémica” e são três as prioridades de quem governa uma instituição de ensino superior pública: um pacote legislativo de emergência que devolva segurança jurídica aos concursos, articulado com dotações específicas que permitam a sua execução efetiva; a criação de mecanismos de neutralidade orçamental que assegurem que qualquer nova medida com impacto na despesa seja acompanhada do respetivo financiamento e a construção de um quadro de previsibilidade plurianual que permita às universidades planear com responsabilidade e estabilidade.
A finalizar o primeiro discurso na qualidade de reitor em dia de aniversário da instituição, Pedro Arezes sublinhou a ideia de que “hoje, mais do que nunca, a sociedade precisa de universidades fortes (…) instituições que não cedam à simplificação. Que defendam o pensamento crítico. Que formem cidadãos livres e competentes. Que produzam conhecimento útil e independente”.
“A grande marca da proposta de revisão do RJIES é o reforço da autonomia das instituições e uma maior garantia de previsibilidade na sua gestão”
O Ministro da Educação, Ciência e Inovação procurou no seu discurso clarificar alguns dos pontos críticos mencionados pelo reitor. Fernando Alexandre indicou ainda que a votação, na especialidade, da proposta de revisão do RJIES está agendada para a próxima terça-feira, 24 de fevereiro.
O titular da pasta da Ciência e Inovação, que é também docente da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho reiterou que as alterações em curso promovidas pelo governo “visam dar às instituições um enquadramento institucional que lhes permite uma adaptação mais rápida à mudança de condições e uma resposta aos desafios da sociedade e da economia”.
Fernando Alexandre aponta entre as mudanças da proposta de RJIES a neutralidade das alterações legislativas. Significa que “as instituições terão capacidade de planeamento do uso dos seus recursos”, vincou.
Apontando à estratégia reformista do ministério, o governante admitiu que “a orientação para o futuro é a grande base da mudança”.
A cerimónia do 52º aniversário da instituição serviu para homenagear docentes, investigadores, estudantes e trabalhadores não docentes. Este ano, o prémio de mérito científico foi atribuído a Miguel Oliveira, do I3Bs.
A docente Sónia Caridade, da Escola de Psicologia, especialista em psicologia forense e violência doméstica, vê reconhecido o seu percurso na inovação pedagógica através do Prémio Mérito na Docência 2026.
