UMinho. Escola de Ciências assinala 51 anos com plano de renovação estrutural

José Gonzalez-Meijome acredita que o futuro da Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) passa por um plano assente na renovação da oferta formativa, da investigação, das infraestruturas e dos recursos humanos. A Escola celebrou 51 anos esta segunda-feira com uma cerimónia no Teatro Jordão, em Guimarães.
Ainda que a novidade da dupla licenciatura (em Física e Matemática) tenha acabado de ser seja lançada, o presidente da ECUM acredita que esta não deve servir de “exceção” para uma renovação estrutural da Escola.
Durante a cerimónia, José Gonzalez-Meijome vincou a importância de um novo edifício assinalando a necessidade de haver infraestruturas adequadas e suficientes para que “a melhor ciência” seja ensinada e se crie “conhecimento novo”.
Apesar de esta ser um dos objetivos do seu mandato, o presidente é realista.
“É algo que não se vai fazer em um, dois ou três anos, mas o projeto tem que estar delineado para que possamos estar preparados para concorrer a quadros de financiamento que possam materializar uma grande escola de ciências na Universidade do Minho”
O professor refere ainda a necessidade de renovar a oferta formativa. O objetivo não é parar de ensinar “física, química, matemática, biologia, geologia, ciências da Terra”, mas inovar e articular melhor a oferta formativa “de maneira que as pessoas possam escolher os seus percursos”.
Para além disso, a renovação do corpo docente também é uma preocupação, à semelhança de outras Escolas da academia minhota. A solução, nas palavras do presidente, passa por “procurar outros perfis” de professor, de investigadores e de técnicos, e preparar esta “renovação de uma forma muito planeada e articulada”.
Com uma série de reformas nacionais para a área no horizonte, José Gonzalez-Meijome acredita que a ECUM deve envolver-se mais “em projetos de maior dimensão e em redes internacionais de investigação” de modo a que os centros de investigação e os investigadores da academia minhota “ganhem mais capacidade de impacto global”.
“Neste momento há mais de 300 centros de investigação em Portugal, e a competitividade entre eles começa a ser muito, muito forte. O que é bom, por um lado, mas obriga-nos a pensar se arquitetura de organização destes centros por áreas científicas é aquela que é a melhor e a que mais vai servir para o futuro”.
A isto soma-se ainda a criação da nova Agência para a Investigação e Inovação (AI2) que deixa algumas dúvidas ao docente, nomeadamente, no que toca à importância dada à ciência aplicada e à inovação, em detrimento daquela fundamental.
“Se não há investigação fundamental, investigação de base, o pipeline da alimentação, da inovação vai secar. E nós não podemos mais ficar reféns apenas do que se faz e do que se inventa e do que se cria noutras geografias”, diz.
Esta é uma questão que o reitor da Universidade do Minho, Pedro Arezes, também coloca.
“Hoje sabemos, enfim, a história mostra-nos isso, com particular clareza que muitos daqueles que foram os grandes desenvolvimentos, quer tecnológicos, quer de outro tipo, têm sempre na base algum trabalho de Ciência Fundamental”
Embora, atualmente, a discussão se mantenha neste ponto, o reitor fez questão de sublinhar que a ECUM “tem múltiplas áreas e múltiplos projetos com aplicação concreta daquilo que é a ciência e a tecnologia”, apontando como exemplo a série de prémios de mérito, patrocinados por várias empresas, entregues aos alunos durante a cerimónia.
“Esta escola faz parte da matriz de fundação da própria Universidade. Mesmo que não fizesse, a natureza dos temas abordados em Ciências devem ser a base fundamental também da investigação e do trabalho que é feito na Universidade do Minho”.
A cerimónia contou com a entrega de diversos prémios de mérito aos alunos da várias áreas de estudo da Escola e com a palestra ‘Epistemologias visuais e narrativas – a Ciência através da Arte e da Literatura’ dirigida pelo professor João Paulo André, do Departamento de Química.
