ULS Braga e Segurança Social unem-se para integrar cuidados à pessoa idosa

A Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga acolheu, esta sexta-feira, a primeira Cimeira de Integração de Cuidados em Contexto Social e de Saúde. A iniciativa, desenhada em parceria com o Centro Distrital da Segurança Social de Braga, marca o arranque de uma cooperação mais estreita entre as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e o sistema público de saúde.
Durante a manhã, a ULS de Braga acolheu duas mesas redondas com as temáticas ‘Desafios sociais e respostas institucionais para a pessoas idosas’ e ‘Integração de cuidados em contexto social e de saúde’. O encontro reuniu lideranças de mais de 30 instituições de solidariedade social da região do Minho para debater modelos de intervenção que respondam com eficácia aos crescentes desafios do envelhecimento populacional.

Para o presidente do Conselho de Administração da ULS de Braga, Américo Afonso, o atual modelo de cuidados exige uma transformação profunda que retire o hospital do centro do sistema. O dirigente defende que a organização deve ser moldada pelas reais carências dos utentes, afirmando que “quem tutela a organização dos cuidados prestados são quem deles necessita”.
O caminho para a eficácia, sublinha, passa por encontrar os doentes “no local onde vive, nas condições onde está inserido”, como um objetivo estratégico para responder às necessidades reais. Américo Afonso considera essencial apostar na prevenção, sublinhando que “um euro investido na prevenção tem um resultado infinitamente superior do que aquilo que é um euro gasto no curativo”.

Este modelo, acrescenta, implica um investimento contínuo na valorização dos profissionais, dotando-os de condições para que a “componente humana do tratamento” seja a prioridade nas residências e no contexto familiar dos utentes.
Integração e respostas rápidas
A integração entre as entidades que realizam os cuidados no terreno, é o que define o sucesso destas parcerias, defende o diretor do Centro Distrital da Segurança Social de Braga, João Ferreira. O responsável alerta, entretanto, que o tema exige uma transição rápida da teoria para a prática, evoluindo de “modelos reativos para modelos preventivos” e de “respostas isoladas para soluções em rede”.
“Esta transformação pelo grau de permanência exige mais do que intenção: exige compromisso, exige confiança mútua e exige, sobretudo, a capacidade de operacionalizar aquilo que aqui foi discutido”, refere.
Ações Práticas e Grupos de Trabalho
Após a cimeira, a prioridade, agora, é o reforço das pontes com as Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), centros de dia e apoio domiciliário, revela a enfermeira diretora da ULS de Braga.

Segundo Elisabete Dias Pinheiro, o próximo passo será a identificação de profissionais de diversas áreas, tanto das IPSS como da unidede bracarense, para integrarem um grupo de trabalho conjunto, que terá a missão de “construir respostas efetivas de ambas as partes, nomeadamente pontos de comunicação, formas de apoio, capacitação e formação”.
Durante o encontro, foram identificadas áreas críticas que necessitam de intervenção urgente, como a saúde mental, a prevenção de doenças e a “desconstrução do mito da institucionalização”.
O objetivo é garantir que as portas das instituições estejam “abertas de par em par”, assegurando que, mesmo quando os idosos não estão doentes, possam existir mecanismos ativos para prevenir o declínio da sua saúde.
