Tecnologia sustentável criada na UMinho promete revolucionar a inspeção de alimentos

A 'língua eletrónica', combina precisão, rapidez, baixo custo, materiais recicláveis e pode impactar no controlo alimentar
Palavra de Ricardo Brito-Pereira

Investigadores da Escola de Ciências da Universidade do Minho (UMinho), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), no Brasil, desenvolveram um dispositivo inovador batizado de HITS (Hydrogel In-Tape Electronic Tongue). Trata-se de uma ‘língua eletrónica’ de baixo custo e sustentável que utiliza Inteligência Artificial (IA) para identificar, de forma rápida e precisa, a composição de diversas bebidas, desde água e leite até vinhos e café.

Além da área alimentar, a inovação pode vir a ser decisiva em áreas como inspeção aduaneira, enologia, biotecnologia e saúde. Aos microfones da RUM, um dos investigadores que participaram do desenvolvimento, Ricardo Brito-Pereira, compara o funcionamento do dispositivo a uma orquestra, em que cada líquido possui uma “assinatura elétrica” única, que funciona como notas musicais.

Segundo o responsável, enquanto os sensores tradicionais procuram apenas uma substância específica, o HITS atua como um “maestro”, através de um hidrogel de iota-carragenina, extraído de algas vermelhas, capaz de absorver líquidos e de sensores elétricos, o dispositivo lê esta “impressão digital” completa da amostra. Os dados, então, são enviados para uma base de dados que, com um sistema de IA, interpreta a informação, conseguindo distinguir, por exemplo, a casta de um vinho ou a sua percentagem de taninos.

Ricardo Brito-Pereira ressalta ainda a componente ambiental e o baixo custo para a fabricação do dispositivo, que utiliza materiais recicláveis e sustentáveis. Além dos laboratórios da UMinho, o trabalho contou com a colaboração da equipa liderada pelo investigador Frank Crespilho, da USP São Carlos, que esteve em Braga durante um período sabático.

Depois dos resultados obtidos no controlo alimentar, a equipa trabalha agora no desenvolvimento da monitorização ambiental e a saúde, procurando aplicar esta tecnologia na deteção de compostos em contextos clínicos e na preservação de ecossistemas, mantendo sempre a premissa de uma matriz sustentável e acessível. Segundo Ricardo Brito-Pereira, os resultados “têm sido muito bons, de forma especial quando comparados aos métodos tradicionais”.

Agora, o objetivo é conseguir investimento de empresas privadas, ou de start-ups ligadas à Universidade, para o desenvolvimento final da ‘língua eletrónica’. O que poderia, avança, ser realizado no perídio de um ano, após a finalização da prova dos testes e da “publicação dos resultados ou em patente”.

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Marcelo Hermsdorf
Marcelo Hermsdorf

Jornalista na RUM

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