Sinistralidade em Braga aumenta no período festivo: PSP aponta “falta de cuidado” como causa central

O Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Braga apresentou os resultados finais da operação “Polícia Sempre Presente – Festas em Segurança 2025-2026”, decorrida entre 18 de dezembro e 4 de janeiro. Num período marcado pela intensificação da fiscalização e do patrulhamento preventivo, os dados revelam uma realidade dicotómica: se, por um lado, a eficácia operacional resultou em 24 detenções e na manutenção da taxa zero de mortalidade, por outro, os índices de sinistralidade sofreram um agravamento em comparação com o período homólogo de 2024.
Sinistralidade e Segurança nas Estradas
O aumento do número de acidentes (129 no total) é o dado mais crítico do balanço. Embora a gravidade das ocorrências tenha sido contida, com uma redução nos feridos graves e a manutenção de zero vítimas mortais, a frequência dos incidentes preocupa as autoridades.
“Relativamente à sinistralidade rodoviária, tivemos mais acidentes do que em 2024. Tivemos 129 acidentes registados, 34 feridos ligeiros e 2 feridos graves. Felizmente, tal como no ano passado, nesta operação também não tivemos qualquer morte, qualquer consequência desse género nas nossas estradas da nossa área de jurisdição, mas ainda assim continuam a ser números avultados e que merecem uma especial atenção.”

Fiscalização e Crimes Rodoviários
A operação resultou em 24 detenções, das quais 18 foram motivadas por crimes rodoviários. A condução em estado de embriaguez continua a ser a principal causa de detenção (16 casos), o que reflete uma resistência dos condutores em separar o consumo de álcool da condução, especialmente em períodos festivos.
“Infelizmente continua a haver muita gente que, sabendo que vai ter de conduzir, continua a ingerir bebidas alcoólicas em excesso e a colocar-se a ele e aos restantes em risco quando depois vai para o carro para ir para casa. Que efetivamente se abstenham de beber bebidas alcoólicas quando estão a conduzir, ou quando essa é a probabilidade maior, e que efetivamente adotem uma condução defensiva.”
Análise do Perfil do Condutor: A “Cultura de Risco”
Para o Subintendente Rui Pereira, os dados de infrações (como a falta de inspeção e seguro) e o número de acidentes derivam, em grande medida, de uma cultura de risco enraizada. O foco na rapidez e na facilidade em detrimento da segurança coletiva é apontado como o grande desafio para as autoridades de Braga.
“Infelizmente o condutor português é um condutor que arrisca muito, e continuamos muito naquela questão de ‘consegui chegar do ponto A ao ponto B em X minutos’. Pois, mas isso não deveria ser valorizado. O que devíamos valorizar era cumprirmos as regras para estarmos em segurança e não colocarmos os outros também em risco, porque as vias são partilhadas por todos.”
Dados da Operação ‘Festas em Segurança‘
A PSP de Braga manteve uma presença intensiva, com especial incidência no controlo de velocidade e fiscalização de documentos.
- Controlo de Velocidade (Radar): 2.655 viaturas controladas.
- Fiscalização de Condutores: 697 condutores fiscalizados.
- Infrações Detetadas (Total: 196):
- Falta de Inspeção (IPO): 38
- Falta de Seguro: 9
- Uso de Telemóvel: 7
- Cinto/Retenção Infantil: 6
Das 24 detenções efetuadas no distrito, 75% estiveram relacionadas com a segurança rodoviária, o que corrobora a tese de “cultura de risco” mencionada pelo Subintendente Rui Pereira.
Detenções Rodoviárias (18):
- Condução sob efeito de álcool: 16
- Falta de habilitação legal: 1
- Desobediência: 1
Outras Detenções (6):
- Tráfico de estupefacientes: 3
- Furto com arrombamento: 1
- Posse de arma proibida: 1
- Violência doméstica: 1
“O que devíamos valorizar era cumprirmos as regras para estarmos em segurança e não colocarmos os outros também em risco, porque as vias são partilhadas por todos.”
— Subintendente Rui Pereira, Chefe de Operações da PSP de Braga
O encerramento da Operação “Festas em Segurança” não significa um abrandamento na atividade do Comando Distrital de Braga. Pelo contrário, os resultados obtidos servem agora de base para o planeamento operacional de 2026. O Subintendente Rui Pereira reforça que, embora a operação termine, o compromisso com a redução da sinistralidade e o combate à criminalidade é uma missão diária, transitando desta fase festiva para um policiamento de proximidade contínuo e focado na proteção do cidadão.
