Sindicatos pedem Estatuto da Carreira do Docente que atraia jovens e valorize profissionais

Perante tantas incertezas relativamente ao futuro do Estatuto da Carreira Docente (ECD), há dois pontos de ordem que devem guiar a negociação: valorizar a profissão e criar condições para atrair jovens para a docência. São conclusões de um debate promovido pelo Instituto de Educação (IE) da Universidade do Minho (UMinho), na sequência das comemorações dos 50 anos da unidade orgânica.
A sessão contou com o testemunho de representantes de três sindicais sindicais do país: José Feliciano Costa, secretário-geral adjunto da Federação Nacional dos Professores (FENPROF), Júlia Azevedo, presidente do Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) e Pedro Barreiros, secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE).
Em cima da mesa esteve o tema da revisão do ECD, a partir da qual se perspetiva uma negociação complicada, sem fim à vista. Para já, de um longo processo apenas foram discutidos dois de 17 pontos sobre a atividade profissional dos professores.
Certo é que, para todos os convidados na sessão, o novo documento deve, primeiramente, motivar os docentes a manter-se na profissão. Até porque, de momento, muitos correm atrás de melhores condições noutras carreiras.

“De todos os jovens que ingressam na profissão, cerca de 25% abandonam a profissão nos primeiros quatro anos de serviço.”
Pedro Barreiros, da Federação Nacional da Educação
“Isto significa que os jovens são colocados numa situação profissional para a qual ou não estão verdadeiramente preparados”, defende Pedro Barreiros, alertando para a necessidade de enquadrar uma componente mais prática, de contacto com a realidade da própria escola, nos cursos de formação de docentes.
Para valorizar a carreira destes profissionais, garantir estabilidade é prioritário para Júlia Azevedo.
A representante do SIPE destaca ainda a importância de criar condições que permitam a fixação dos professores nas zonas onde dão aulas, sem esquecer ajudas do Estado ao alojamento.

Ao problema do abandono acresce o facto de, por ano, se reformarem perto de quatro mil professores, um número elevado face aos cerca de 1450 que saem das universidades prontos para formar as gerações mais jovens.
A importância de tornar a carreira de professor atraente, segundo José Feliciano Costa, é crucial.
O secretário-geral adjunto da FENPROF apela a que os jovens reconheçam o que há de bom em trabalhar no Ensino, nomeadamente o respeito pela profissão e o sistema de avaliação de desempenho com progressão constante e sem interrupções. São aspetos que “têm de surgir neste processo de revisão de carreira que, infelizmente, não vai nesse sentido”.
Para isso, importa que o próprio Estatuto procure combater os índices de precariedade elevados, com condições de trabalho desejáveis que, entre outros aspetos, respeitem os horários.

O cinquentenário do IE
As comemorações dos 50 anos do Instituto de Educação (IE) prosseguem até ao final do ano. O cartaz conta ainda com vários momentos de discussão que procuram, não só, fazer um enquadramento histórico do Ensino em Portugal, mas também perspetivar o futuro, de acordo com os desafios já colocados no presente.
Assunção Flores, presidente da unidade orgânica, adianta à RUM que a UMinho vai trazer à discussão os antigos ministros da Educação João Costa e David Justino.

O 50.º aniversário do Instituto de Educação foi assinalado no 10 de dezembro do ano passado.
