Secretário-geral da CGTP. “precisamos de um Governo diferente, que não esqueça a maioria”

Numa manhã de reunião com os trabalhadores da Bosch Car Multimedia, a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) deixou o apelo à participação na greve geral agendada para o dia 3 de junho.
Este foi o segundo de três plenários na empresa de produção de componentes automóveis que juntou, esta segunda-feira, a CGTP e o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (SITE-Norte).
Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, esteve com os trabalhadores da empresa para perceber as suas preocupações e prestar esclarecimentos relativamente ao conteúdo do pacote laboral.
“Os trabalhadores têm dito ao longo destes nove meses que não querem um pacote laboral que assalte os direitos de quem trabalha. O que querem, de facto, é a inversão de medidas, querem uma uma vida diferente, querem política diferente.”
Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, em declarações à RUM
O dirigente sindical reconheceu a participação dos trabalhadores da Bosch na paralisação de dezembro do ano passado. Afirmou, ainda, que a realidade desta empresa simboliza a precariedade sentida por muitos trabalhadores em Portugal.
As preocupações dos funcionários da Bosch remetem, acima de tudo, para a “regulação dos horários de trabalho”, contando com mais de 13 horários de trabalho e que, segundo o dirigente do SITE-Norte, Sérgio Sales, “tem intenções de continuar a desregular”.
O representante sindical destaca, ainda, que muitos trabalhadores temem a precarização de funcionários efetivos, além da perda de direitos associados à parentalidade. Tudo isto, afirma Sérgio Sales, “é para reverter”.
Pela CGTP, as críticas voltam-se para o executivo que, de acordo com Tiago Oliveira, quer avançar com um pacote laboral que apenas vai agravar a situação já alarmante de muitos trabalhadores portugueses.
Ainda assim, garante que “é preciso um Governo diferente, que olhe para aquilo que é a realidade da maioria, dos cinco milhões de trabalhadores e três milhões de reformados que trabalharam uma vida inteira e que têm reformas de miséria”.
“Isto diz tudo do governo que temos: legisla para os mesmos de sempre, para uma minoria e esquece a maioria.”
Tiago Oliveira não tem dúvidas: é preciso um Governo diferente
Por esse motivo, o responsável deixa o apelo à participação na manifestação agendada para o dia 3 de junho. A expectativa é de que será “uma grande greve geral”.
