São João de Braga cumpriu expectativas, mas há espaço para evoluir e o futuro já se planeia

Passado o São João e os oito dias de folia dedicados àquela que é a festividade do género mais antiga de Portugal, é tempo de se fazerem as contas. Apesar de ainda ser cedo para se falar do impacto económico, a verdade é que as expectativas são altas e as previsões mais conservadoras apontam para uma adesão “em linha com as edições anteriores”, na casa de um milhão de visitantes.
Este ano, os valores podem até ser maiores tendo em conta a participação de Portugal no Mundial 2026, com jogos agendados para o final da tarde do dia 17 e 23 de junho, e que levaram centenas de bracarenses ao centro da cidade para assistir os jogos nos ecrãs gigantes, bem como a presença de Marcelo Rebelo de Sousa na noitada de São João.
À RUM, a presidente da Associação de Festas de São João de Braga (AFSJB), Daniela Pereira, admite que estes momentos podem ter ajudado a chamar as pessoas à rua, mas ainda assim acredita que as festividades continuam a ser um momento muito aguardado por todos os bracarenses e visitantes.
“O balanço é francamente positivo. Tivemos ruas cheias, tivemos muito bom tempo, o que ajudou de facto a conseguir ter muita gente nas ruas. Tivemos cortejos de lotação, diria eu, quase esgotada. Eu diria que, se calhar, esse é o maior sinal de que o São João de 2026 cumpriu aqui com um conjunto de expectativas e que, de facto, as pessoas se mobilizaram para viver as nossas festas”.
Este ano, ainda que com dinâmicas novas e dedicadas aos agentes e associações culturais locais, as barraquinhas voltaram a ocupar a Avenida da Liberdade. De acordo com a responsável, o balanço de adesão a esta dinâmica foi positivo, mas “há espaço ainda para evoluir”.
“Nós sabemos que este era o ano zero, portanto, vamos para a próxima edição com um conjunto de desafios e de coisas que, entretanto, sabemos que para o ano vamos olear e vamos melhorar”.
Entre a Avenida Central e o Parque da Ponte ergueram-se dois novos palcos que, por estarem descentralizados, conseguiram “mobilizar as pessoas que ora subiam, ora desciam a avenida”, refletindo-se num “sinal claro de que esta aposta nos artistas locais é bastante significativa para a programação do próprio São João”.
Ainda que no rescaldo desta edição, a presidente já planeia novidades para o próximo ano. Já em setembro, a AFSJB lança o orçamento participativo sanjoanino de modo a criar uma carteira de iniciativas para futuras edições.
Além disso, a associação pretende dar voz a todas as pessoas que participaram na construção das festas este ano, inclusive o público.
Tivemos uma equipa a recolher respostas e a recolher questionários do público que esteve nas festas. Vamos agora falar e recolher feedback dos vendedores ambulantes que estiveram connosco, de quem esteve no parque de diversões, das associações que estiveram envolvidas no São João, a própria equipa de voluntários que vai ter aqui a possibilidade de contribuir com aspetos positivos, aspetos negativos e ideias”.
Com uma programação que uniu fé, património, cultura e comunidade, o último dia das Festas de São João voltou a demonstrar a singularidade de uma celebração que atravessa gerações e continua a afirmar-se como um dos mais importantes símbolos da identidade bracarense.
