Saldo transitado de 36 ME coloca maioria e oposição em Guimarães em rota de colisão

O saldo transitado da gestão anterior e a consequente readequação do orçamento municipal para 2026 colocou a maioria social-democrata e a oposição socialista em rota de colisão, com visões distintas entre “má execução” e “boa gestão”, em sede da reunião do executivo vimaranense, esta segunda-feira. Em causa, o destino de um saldo de cerca de 36 milhões de euros proveniente da anterior gestão do PS, que se somam aos 220 milhões inicialmente planeados.
Pelo PS, Ricardo Costa congratulou-se pelo valor deixado nos cofres municipais pela anterior gestão, mas levantou dúvidas sobre o incremento das verbas destinadas à publicidade e comunicação, que atingem agora os 350 mil euros.
Na resposta, o presidente da Câmara, Ricardo Araújo, rejeitou a ideia de que este saldo represente boa gestão, mas sim “algo que é regular, habitual e que acontece todos os anos”. Para o autarca, o dinheiro só transita porque o plano anterior não foi executado na totalidade, o que justifica que “grande parte das obras, por exemplo, estejam por executar” no concelho.

Sobre o reforço orçamental para a comunicação, o edil explicou que a estratégia passa pela transparência. Afirmou ainda que a autarquia optou por concentrar numa única rubrica gastos que, anteriormente, estavam dispersos por vários departamentos e divisões da câmara, tornando a despesa “mais visível e clara”.
Já Ricardo Costa aproveitou o debate para criticar o modelo de remuneração dos presidentes das empresas municipais, recordando que o PS foi alvo de críticas da coligação Juntos por Guimarães, quando era oposição, por colocar alegadamente elementos do partido nos vários cargos municipais, os “’boys’ do PS”, referiu.
O socialista recordou que, no passado, apenas a Vimágua, empresa municipal de água e saneamento, tinha administração remunerada, acusando a atual maioria de alargar este modelo a todas as empresas do universo municipal.
A medida foi defendida por Ricardo Araújo como uma necessidade de profissionalização. Segundo o autarca, a exigência de administradores a tempo inteiro é a “única forma” de garantir a responsabilidade total de quem exerce o mandato e de “exigir resultados” efetivos para os vimaranenses.
O vereador do Chega, Nuno Vaz Monteiro, não prestou declarações aos jornalistas no final da sessão.
